Compras por impulso, como evitá-las?

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Comprar pode melhorar o humor e gera em nosso cérebro um efeito semelhante ao sentido por usuários de drogas. Para Kit Yarrow, psicólogo de consumo baseado em São Francisco e autor do livro ‘Decodificação da nova mente do consumidor’, no instante em que decidimos comprar, nos sentimos bem e há uma onda de emoção positiva, mas depois, pode vir um sentimento de culpa e arrependimento.

Não são as coisas que desejamos, mas sim, é o processo de compra que pode nos deixar viciados. Nós precisamos de mais e temos que voltar para mais.

Segundo a pesquisa “Retail Therapy: A Strategic Effort” [“terapia de varejo: um esforço estratégico”, em tradução livre] realizada em 2016 com mais de mil adultos nos Estados Unidos, a chamada  “terapia de compra” é um comportamento de consumo prevalente e usado como esforço estratégico para melhora do humor. De fato, 96% dos americanos disseram ter comprado algo para se sentir melhor, de acordo com estudo realizado pela ebates.com em 2014 com mais de 1.000 participantes.

Mas os benefícios dessas compras não planejadas geralmente duram pouco. Se comprarmos mais do que devemos ou do que planejamos na tentativa de sanar sentimentos ruins essas mesmas emoções negativas acabam voltando, em forma de remorso e culpa.

“Ao comprar impulsivamente estamos na verdade tentando controlar nossas emoções”, afirma Joanne Corrigan, psicóloga clínica especializada em terapia focada em compaixão e baseada em Sydney, na Austrália.

Pesquisas revelam que quando nos sentimos deprimidos, aflitos, ansiosos ou mal humorados nossa capacidade de autocontrole diminui, aumentando a probabilidade de tomarmos decisões erradas e não planejadas. Isso pode resultar em comportamentos que são mais indulgentes e que proporcionam gratificação imediata para reparar esses sentimentos.

A matéria da BBC Brasil – “O que leva às compras por impulso – e como educar a mente para fugir delas” – nos dá algumas dicas de como evitar esse comportamento:

  • “Você precisa ter uma visão de longo prazo do que realmente vale a pena, mas esse é um ponto que as pessoas têm muita dificuldade para entender: dar peso suficiente a coisas que acontecem não agora, mas no futuro”, Robert Frank, economista da Universidade de Cornell, nos EUA;

  • “Quanto mais você se sentir agradecido em seu dia a dia, mais preparado você vai estar para ter maior controle e resistir a essas tentações quando elas aparecerem”, David DeSteno, professor de psicologia na Universidade de Northeastern em Boston;

  • Se possível, coloque itens em espera e faça a compra no próximo dia;

  • Para evitar ser vítima das estratégias de marketing, pesquise online apenas itens específicos e diminua as visitas aos shoppings;

  • Se pudermos motivar nosso “cérebro passional” – a parte que acalma sentimentos de ansiedade – então não precisamos dar vazão ao impulso e buscarmos esses pequenos estímulos prazerosos de curta duração, Joanne Corrigan, psicóloga clínica especializada em terapia focada em compaixão e baseada em Sydney, na Austrália.

Confira a matéria completa da BBC Brasil aqui.

Mais sobre o assunto:

Estudo “Retail Therapy: A Strategic Effort” por A. Selin Atalay e Margaret G. Meloy.

Matéria BBC –  “Shopping a sale gives you the same feeling as getting high”.

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Um novo olhar sobre como consumir moda

consumo moda

A indústria da moda é a segunda maior poluidora do mundo e a crescente pressão sobre as preocupações ambientais e sociais causadas por processos não-éticos encontrados nesta indústria está levando grandes marcas e empresas do setor a repensarem suas práticas.

Por outro lado, como consumidores a partir do momento que começamos a repensar nossos hábitos percebemos que existem alternativas e novas formas de consumir

A economia compartilhada está ganhando cada vez mais força [plataformas de compartilhamento de carros, casas e músicas já são comuns em nosso dia a dia] e nos permite ter acesso e usufruir de um produto e/ou serviço sem precisar, necessariamente, possuí-lo.

E na moda não é diferente. Muitas iniciativas estão nascendo com esse propósito, seja para trocar, emprestar ou alugar, podemos escolher uma grande quantidade de peças que nos interessam e usar de uma maneira mais econômica e sustentável, assim evitamos o acúmulo de roupas esquecidas no fundo de nossos guarda-roupas.

Uma pesquisa realizada pela Wrap Research, do Reino Unido, afirmou que ao aumentar a vida útil de uma peça de roupa por apenas 3 meses pode levar a uma redução de 5 a 10% na pegada de carbono, água e resíduos.

Se no futuro os recursos naturais se tornarão cada vez mais escassos e caros, o uso de plataformas que incentivam o compartilhamento e trocas serão cada vez mais populares.

É o início de um novo olhar sobre como consumir moda, de menos posse, mais acesso, menos desperdício e mais conexão.

Abaixo listamos algumas iniciativas que adoramos e apoiamos. Confira!

Lucid Bag

Uma comunidade de empréstimo, aluguel e trocas de roupas e acessórios. O projeto acredita que pegar emprestado é um ótimo jeito de evitar compras desnecessárias, além de aumentar a vida útil das peças que estão esquecidas no armário.

Trocaria

Uma plataforma online para a compra, venda e, em breve, troca de itens pré-usados e ‘para sempre amados”. Acreditam e incentivam o consumo consciente e colaborativo da moda por meio da prática da troca e reuso de roupas e acessórios. Também realizam eventos físicos.

Roupateca

Um guarda-roupa compartilhado que funciona por assinatura mensal, acreditam que as pessoas juntas, em rede, são mais importantes que a roupa que consomem. Pessoas e marcas ajudam a construir um acervo vivo, com peças de qualidade e atemporais, que carregam informação de moda e beleza, mas também trazem conexões.

Repassa

Uma comunidade virtual de compra e venda de itens de moda gentilmente usados, que remunera a influência das pessoas.

Projeto Gaveta

Com a ideia inicialmente de difundir o conceito de clothing swap no Brasil, criando uma rede onde os participantes pudessem trocar roupas que não usam mais, hoje o projeto Gaveta é um movimento que incentiva uma moda mais humana, real e sustentável através dos eventos que realizam periodicamente.

Excambo

Acreditam que é nossa responsabilidade olhar para os hábitos do dia-a-dia e escolher a melhor forma de nos relacionarmos com a sociedade e o mundo. O projeto organiza eventos de trocas de tudo aquilo que está parado e que não faz mais sentido guardar prolongando a vida útil de cada produto, além de compartilhar muitas histórias.

Aplicativo Roupa Livre

O aplicativo permite trocar roupas usadas por peças de outras pessoas, funciona como o tinder das roupas, é só curtir uma peça de alguém que curtiu uma sua e combinar a troca.

Trocaderia

É um projeto que promove trocas divertidas. Ele acredita em consumo consciente, moda acessível, eventos animados e em novas chances para os itens que estão parados em armários por aí.

Brick dos Desapegos

É uma feira de moda sustentável que incentiva e fomenta o desapego. Em suas edições congrega expositores de desapegos (pessoas físicas que querem repassar suas pecinhas queridas), brechós itinerantes (pessoas jurídicas) e marcas autorais sustentáveis. Além da venda de vestuário, a cada edição, um conteúdo sobre moda sustentável para debater e refletir.

Trocaí

Um projeto de economia compartilhada que reúne diversas atividades por um consumo mais consciente com objetivo de ajudar as pessoas a repensarem seus hábitos de consumo por um planeta melhor e por um estilo de vida mais sustentável. Desde novembro de 2015, realizam, em São Paulo e outras cidades: feiras de trocas, palestras e workshops, consultorias de moda sustentável e oficinas de educação ambiental.

Espichamos

Uma plataforma online para venda, compra, troca ou doação de itens de crianças e bebês. O projeto foi criado com o objetivo de repensarmos a nossa relação com o consumo, ser consciente, solidário e sustentável.

Saiba mais sobre esses projetos e outras iniciativas que promovem o consumo consciente e sustentável na moda no nosso site –  www.slowdownfashion.com.br.


Referências:

https://www.theguardian.com/sustainable-business/sustainable-fashion-blog/2014/oct/02/how-to-be-fashionable-without-owning-clothes

https://www.businessoffashion.com/articles/fashion-tech/will-the-sharing-economy-work-for-fashion-rent-the-runway-rental

Em um mundo regido pelo excesso como saber se o que já temos é suficiente?

post suficiencia

Busca-se o tempo todo coisas novas que, ao final não dão satisfação. Cada vez temos mais coisas, mas não significa que estamos mais felizes” essa frase do filósofo francês Gilles Lipovetsky não poderia ser mais atual, vivemos em uma sociedade de produção e consumo em excesso e esse modelo está nos levando ao limite.

Se mantivermos estes padrões atuais de comportamento antes de 2050 vamos precisar de duas Terras para nos sustentar, por isso precisamos, urgentemente, mudar nossos hábitos.

O grande problema é que com o modelo econômico atual desconhecemos a moderação e somos levados a acreditar que conseguiremos encontrar a felicidade e aceitação dos outros por meio do que compramos e acumulamos. Se somos constantemente seduzidos a praticar o consumismo, como saber se o que já temos é suficiente? E como conseguiremos alcançar o desenvolvimento sustentável?

É necessário uma mudança de mentalidade pessoal, um despertar da consciência de cada um de nós para compreender que a forma que vivemos hoje é insustentável.

O acúmulo de bens pessoais não é sinônimo de êxito nem de qualidade de vida e muito menos nos traz a felicidade prometida. Além disso estamos em dívida com o planeta, utilizamos os recursos ambientais como se fossem infinitos sem pensarmos nas consequências. Sem contar que ainda existem muitas pessoas que não dispõem nem do básico para a sobrevivência enquanto uma mínima parcela lida com exageros diários.

Enfim, questionar essa cultura do excesso e desperdício é imprescindível atualmente.

As condições econômicas dos últimos dois séculos foram marcadas pelo imperativo do “cada vez mais”. Agora, será necessário empreender uma desmobilização econômica e reinventar uma economia com moderação. Em termos ambientais, isso significa que a suficiência (bem-estar com moderação) deve se aliar à eficiência (uso inteligente dos recursos) e à consistência (harmonia entre indústria e natureza) para que se possa transformar o sistema econômico. “Melhor”, “diferente” e “menos”, eis a trindade da sustentabilidade”, publicação da Fundação Heinrich Böll – Crítica à Economia Verde Impulsos para um Futuro Socioambiental Justo.

Para reinventar uma nova economia é fundamental aprendermos a abrir mão, fazer melhor e diferente. Cada decisão que fazemos gera um impacto e consequências para o meio ambiente e a sociedade.

Segundo a Fundação Heinrich Böll, “precisaremos da eficiência e da proteção dos recursos, assim como de uma política do “menos”, se quisermos que os recursos e a atmosfera sejam suficientes para todas as pessoas terem uma vida digna e sem miséria na Terra. Eficiência, consistência, suficiência e direitos humanos são elementos de uma economia verde, de um bem-estar com moderação”.

Mudança de paradigmas culturais é um processo longo, lento e gradual, mas viver de modo sustentável no futuro será algo tão natural como o consumismo é hoje. A mudança já começou enquanto você lia esse artigo. Agora vamos praticar!

Mais sobre Economia da Suficiência e Sociedade do Bem Estar 

Publicação da Fundação Heinrich Böll – Crítica à Economia Verde Impulsos para um Futuro Socioambiental Justo

Philosophy of Sufficiency Economy


Referências

https://br.boell.org/sites/default/files/ecologia_criticaeconomiaverde.pdf

 http://www.chaipat.or.th/chaipat_english/index.php?option=com_content&view=article&id=4103&Itemid=293

 http://pontoeletronico.me/2015/economia-sustentavel/

 http://www.radarrio20.org.br/index.php?r=conteudo/view&id=12&idmenu=20

 

As mulheres por trás das nossas roupas e que fazem a moda acontecer

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Imagem:pixabay

O Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 08 de março, é o resultado de uma série de protestos no qual mulheres, principalmente na Europa e nos EUA, reivindicavam melhores condições de trabalho e direitos sociais e políticos. Esses protestos tiveram início no final do século 19 e no início do 20, e, décadas mais tarde, ainda precisamos e – estamos – lutando pelos seus direitos.

Segundo o Relatório Global de Desigualdade de Gênero de 2016, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, a desigualdade de gênero tem diminuído nos últimos anos, porém houve uma desaceleração nos últimos três anos e caso o ritmo dessas transformações continue o mesmo, questões como paridade salarial só serão alcançadas em 169 anos! Desanimador, não?!

Proteger e exigir os direitos das mulheres é sem dúvida mais importante do que nunca e o setor da moda tem uma enorme responsabilidade e poder para promover mudanças positivas. A indústria têxtil e de vestuário é, e tem sido historicamente, uma das indústrias mais dominadas pelas mulheres. Dos estimados 40 milhões de trabalhadores em todo o mundo, cerca de 85% da força de trabalho são do sexo feminino.

Mas porque ainda ignoramos o fato de que apesar desse setor ser amplamente concebido por e para mulheres a moda, muitas vezes, não as trata da maneira como merecem? Vemos constantes abusos e violações presentes no setor, como salários menores que aos trabalhadores do sexo masculino, discriminações, além de assédios e oportunidade apenas em postos de trabalho mais baixos e com pouca perspectiva de promoção.

Dados coletados pelas fábricas da RMG [Ready Made Garment] em Bangladesh apontam que 4 em cada 5 trabalhadores da linha de produção são do sexo feminino, enquanto pouco mais de 1 em cada 20 supervisores é uma mulher.

Nos países como China, Bangladesh e Camboja onde a mão de obra feminina corresponde a 70%, 85% e 90%, respectivamente, o desenvolvimento , econômico e social, dessas mulheres está intimamente ligado às suas condições de trabalho. Se não há valorização, um salário decente e direitos respeitados, essas mulheres não são capazes de sair da pobreza e proporcionar melhores condições para suas vidas e de suas famílias e, consequentemente para a comunidade em que vivem.

Segundo a UNESCO, “As mulheres sempre foram – e permanecem – a influência decisiva na qualidade de vida e bem-estar de suas famílias e comunidades. No entanto, suas necessidades, seu trabalho e suas vozes muitas vezes não são considerados uma prioridade. Como resultado, as mulheres em muitos países não têm acesso igual à educação, saúde, emprego, terra, crédito, tecnologia ou poder político”.

Mas, se as mulheres estão sendo ignoradas e não possuem as mesmas oportunidades que os homens, todo o mundo só tem a perder. Para o Fórum Econômico Mundial é evidente o efeito positivo do aumento da igualdade de gênero no crescimento econômico, afinal as mulheres são a metade da população mundial e estamos desperdiçando esses talentos.

De acordo com o Relatório Global de Desigualdade de Gênero de 2016: “Em todos os países, aproveitar plenamente as capacidades das mulheres abre caminho para otimizar o potencial do capital humano de uma nação”.

Mesmo com todos os desafios, há muitas mulheres que estão se mobilizando em sindicatos e outros movimentos de trabalhadores para eliminar as desigualdades e explorações presentes na indústria da moda. Além disso, vemos muitas marcas e iniciativas que incentivam e empoderam as mulheres buscando gerar mudanças positivas nas comunidades em que vivem e no setor.  Marcas como Raven And Lily, People Tree, Freeset, Indego AfricaCatarina Mina, Bossa Social e Rede Asta são alguns exemplos.

Como consumidores, precisamos avaliar nossas escolhas e o papel que desempenhamos no ciclo de consumo, buscar informações e, claro, apoiar iniciativas e marcas que valorizam a mão de obra feminina, além de exigir mudanças nas leis e nas condições de trabalho do setor. Afinal, não podemos esperar até o ano 2186 para isso acontecer, certo?

Mais sobre o assunto

Documentário “She´s beautiful when she´s angry” 

The women who make your clothes – Labour Behind the Label

“Nada de incêndio na fábrica! Esta é a verdadeira história do 8 de março” – Revista AzMina

10 princípios Fair Trade

Debate sobre status quo e a desigualdade de gênero – Reunião Anual Fórum Econômico Mundial 2017

Princípios ONU de empoderamento das mulheres


Referências

http://reports.weforum.org/global-gender-gap-report-2016/

http://www.modefica.com.br/moda-e-feminismo-dia-das-mulheres/#.WLl9nfkrLIU

http://thenotepasser.com/blog/2015/2/18/empower-women-through-sustainable-fashion

https://www.theguardian.com/sustainable-business/sustainable-fashion-blog/fashion-brands-empowering-women-developing-countries

https://europa.eu/eyd2015/en/fashion-revolution/posts/exploitation-or-emancipation-women-workers-garment-industry

http://www.unesco.org/education/tlsf/mods/theme_c/mod12.html?panel=3#top

http://www.teoriaedebate.org.br/?q=estantes/livros/origens-e-comemoracao-do-dia-internacional-das-mulheres

Nesse Natal escolha consumir menos

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No meio da correria típica de final de ano, compras por impulso são muito comuns e, para evitarmos um Natal cheio de excessos é importante consumirmos com consciência, escolhendo melhor e analisando se de fato aquele produto ou serviço é realmente necessário.

Ainda mais agora que estamos enfrentando uma crise econômica, não faz sentido gastar  dinheiro que não temos com coisas que não precisamos. Segundo uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em todas as capitais do país, os consumidores vão gastar menos com presentes porque precisam economizar. A pesquisa relata que aproximadamente 137 milhões de brasileiros devem presentear alguém neste Natal sendo o gasto médio por presente de R$ 109,81, uma queda de 5,3% em relação ao ano passado.

E dá para aproveitar essa época sem comprar tanto, certo?! Com algumas simples mudanças conseguimos consumir melhor, evitar o desperdício – de dinheiro e recursos – e, claro, aproveitar muito ao lado da família e amigos.

O Instituto Akatu preparou algumas dicas para colocar em prática o consumo consciente e sustentável para as festas de final de ano. Separamos algumas, mas você pode conferir a lista completa aqui. Inspire-se e Boas Festas!

  • O valor do presente pode estar muito mais relacionado à sua criatividade e significado do que ao preço. Invista em projetos DIY – faça você mesmo – e/ou incentive comunidades locais comprando produtos artesanais, de produtores independentes e do comércio local;
  • Pesquise bem antes de comprar, procure fabricantes ambientalmente responsáveis, informe-se sobre como são feitos e por quem são produzidos. Valorize marcas que comprovadamente praticam a responsabilidade socioambiental;
  • Doar peças que estão esquecidas no guarda-roupa, organizar bazares de trocas entre amigos e a comunidade é uma ótima forma de dar um melhor uso às peças que já não utilizamos mais;
  • Grande parte do lixo produzido no Brasil é formado por embalagens e isso causa um grande impacto ao meio ambiente, por isso, evitar a geração desnecessária de resíduos é fundamental. Procure utilizar embalagens mais simples e que possam ser reutilizadas. Na hora do descarte, encaminhe o material para reciclagem.

Descarte têxtil e o futuro da moda

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Foto: Getty Images

Hoje tratamos roupas como bens descartáveis, estimulados pelas tendências passageiras e por peças baratas, nos livramos delas na mesma velocidade que novas coleções chegam às lojas. Já sabemos que essa cultura do use e descarte gera quantidades imensas de resíduos e impactos negativos ao planeta.

O desperdício têxtil é um dos principais problemas da indústria da moda. Somente em 2015, o consumo mundial de tecidos alcançou, aproximadamente, 73 milhões de toneladas, sendo que, apenas, cerca de 20% foram recicladas.

A produção no Brasil no mesmo ano foi de 5,5 bilhões de peças e, estima-se que são gerados 175 mil toneladas de resíduos têxteis por ano no país. Desse total, apenas 36 mil toneladas são reaproveitadas na produção de barbantes, mantas, novas peças de roupas e fios.

Diante desse cenário, a recuperação e reciclagem são alternativas que proporcionam benefícios ambientais importantes já que não são necessários o uso de novos recursos. Além disso, elimina-se a necessidade de espaços em aterros, outro grande problema, pois as fibras artificiais não são biodegradáveis, os resíduos têxteis podem eliminar químicos que contaminam o solo e peças feitas de lã ao se decompor produzem metano que contribui para o aquecimento global. Resumindo, a reciclagem e recuperação de fios e tecidos permitem que recursos sejam economizados e a poluição seja reduzida.

Outra opção para essa questão é o processo chamado upcycling, que transforma resíduos ou produtos descartados em novos materiais ou produtos de maior valor, uso ou qualidade. Cada vez mais vemos surgir marcas e iniciativas que utilizam esses resíduos como matéria-prima transformando-os em lindas peças, como é caso da Comas, ThinkBlue, Mig Jeans, Trappo, Odysse, Misnella, Coletivo de Dois e entre outras. [confira todas as marcas no site SDF].

Iniciativas como o Banco de Tecidos – onde sobras de tecidos e materiais descartados pela indústria e por designers ganham a chance de serem usados em novas criações – e o projeto Retalhar – que utiliza o reaproveitamento de resíduos têxteis como ferramenta para o empoderamento de empreendimentos da economia solidária – são soluções encontradas para minimizar o problema atual.

Se por um lado muitas marcas e projetos estão buscando alternativas para mudar essa situação, seja incorporando tecidos e materiais reciclados em suas coleções e/ou transformando materiais descartados em novos produtos, nós como consumidores também devemos adotar ações para reduzir esse desperdício. Seja incentivando o trabalho dessas marcas, contribuindo com a reciclagem, re-styling e reparos de roupas já existentes. A troca de peças com amigos e familiares, compra em brechós e optar pela qualidade e não quantidade são mudanças no comportamento que causam um impacto significativo no guarda-roupa, no bolso e na natureza.

O que podemos esperar é que o futuro será de lixo zero, economia circular e reutilização total de materiais, para que os recursos naturais, já tão escassos, sejam poupados. Por isso, pense muito bem antes de descartar uma peça do seu guarda-roupa, pois o “lixo” será o novo luxo na indústria de moda.

Saiba mais sobre economia circular aqui.


Referências:

http://source.ethicalfashionforum.com/article/introduction-to-fashions-key-environmental-issues

http://source.ethicalfashionforum.com/article/waste-recycling

http://www.ecouterre.com/sweden-wants-to-reduce-waste-by-giving-tax-breaks-for-repairs/

http://www.triplepundit.com/special/sustainable-fashion-2014/upcycling-new-wave-sustainable-fashion/

Patagonia: histórias por trás das roupas

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Foto Instagram @patagonia

“Fabricar o melhor produto, não causar dano desnecessário, e usar o negócio para inspirar e implementar soluções à crise ambiental“, essa é a missão da marca californiana Patagonia que com mais de 30 anos no mercado produzindo roupas esportivas para práticas de esporte ao ar livre, segue fiel aos seus valores e é referência em práticas sustentáveis.

Yvon Chouinard, alpinista, amante da natureza e fundador da marca percebeu que seu modelo de negócio, desde a iluminação em suas lojas até o tingimentos das camisetas, geraria poluição e impactos, por isso, se comprometeu a reduzi-los com ações efetivas em toda a cadeia de produção e pós-consumo da marca.

Já nos primeiros anos de vida a Patagonia adotou o uso de materiais naturais e recicláveis para o desenvolvimento de todas as peças. Desde 1985, doa 1% de sua receita ou 10% do seu lucro (o que for maior) para grupos de proteção do meio ambiente.

A empresa é transparente em relação as suas informações e práticas, disponibilizando em seu site o código de conduta e condições de trabalho e, também publica anualmente as listas das fábricas e resultados das auditorias. Além disso, em 2007, criou o programa The Footprint Chronicles® que disponibiliza informações de cada produto, além de contar a história de todos os envolvidos na cadeia produtiva. O programa tem como objetivo ajudar a reduzir os impactos sociais e ambientais gerados.

Mas, um dos pontos mais importantes da marca é a preocupação em desenvolver produtos de alta durabilidade e qualidade para que seus clientes não precisem comprar roupas por um bom tempo [você deve lembrar da campanha “Don´t buy this jacket” publicada na época do black friday americano, certo?].

“Não podemos ser uma sociedade baseada no consumo e descarte sem limite. O que estamos tentando fazer é produzir roupas que possam ser repassadas e que possam durar para sempre”, Yvon Chouinard.

A Patagonia acredita nos 5 R´s – Reduzir o que se compra, Reparar o que pode, Reutilizar o que se tem e Re-Imaginar um mundo sustentável. Para o Yvon a coisa mais responsável que podemos fazer ao comprar roupas é, número um, comprar roupas usadas, pois o dano já foi feito ao produzi-las. Por isso, a Patagonia incentiva e facilita o processo de troca e/ou venda das peças usadas de seus clientes, e, também, recicla as roupas já desgastadas transformando-as em uma nova fibra ou tecido.

A marca também criou o programa Worn Wear que celebra as histórias por trás de uma peça de roupa, ajudando-as a seguirem seu ciclo de vida através de oficinas de reparos que disponibilizam para seus clientes.

Todo mundo tem alguma peça no armário que conta uma história, uma aventura, um momento importante na vida. Cada uma nos traz uma lembrança e, é exatamente o que a Patagonia quer celebrar. “Celebrate the stuff you already own”. Aquela peça que te acompanha há muito tempo ou aquela jaqueta que passou por todos os seus irmãos antes de você usar. Conheça algumas histórias aqui.

Uma das frases favoritas de Yvon Chouinard é a do Henry David Thoreau em que diz: “Cuidado com qualquer empreendimento que exige roupas novas”. Afinal, roupas tem significado, carregam histórias e devemos dar mais valor à elas 🙂

 


Referências

http://www.patagonia.com/us/patagonia.go?assetid=2329

http://www.patagonia.com/us/worn-wear/

http://www.expoknews.com/caso-de-exito-de-rse-patagonia/

https://www.visualnews.com/2015/08/03/brandcrush-3-reasons-to-love-and-learn-from-patagonia/

http://mundodasmarcas.blogspot.com.br/2014/08/patagonia.html