Porque precisamos entender como funciona a produção de nossas roupas

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Estamos tão desconectados da fabricação de nossas roupas e das coisas que compramos que é muito comum esquecermos que, por trás da produção de uma simples peça, há uma longa cadeia que envolve inúmeras pessoas e recursos. Do cultivo do algodão até transformá-lo em fio e depois em tecido, do tingimento à costura, do transporte e distribuição às lojas.

A cadeia produtiva têxtil e de vestuário geralmente é bem vasta e complexa. Para termos uma ideia dessa complexidade, o infográfico abaixo – desenvolvido pela equipe Scraps: Fashion Textiles and Creative Reuse – nos ajuda a visualizar todas as etapas.

infografico-textile-chain
para visualizar em português use o app do google tradutor

 

Quanto mais extensa for essa cadeia mais difícil para a empresa conseguir manter o controle sobre ela. A grande maioria das marcas hoje terceirizam sua produção e, muitas delas, não sabem onde, por quem e em que condições são feitos seus produtos.

Se desconhecemos o que está acontecendo, como corrigir o problema? Por isso, o primeiro passo para a mudança é a transparência.

E é acreditando nisso que a Ong inglesa Fashion Revolution juntamente com a Ethical Consumerpublicaram um relatório chamado Fashion Transparency Index (índice de transparência na moda, em tradução livre) que classifica as empresas de acordo com o nível de transparência em sua cadeia de suprimentos.

A primeira edição do Fashion Transparency Index inclui 40 das maiores marcas globais de moda, que foram selecionadas com base no volume de negócios anual. O objetivo foi descobrir o que essas empresas estão fazendo para melhorar os padrões sociais e ambientais e o quanto dessas informações são compartilhadas com o público. Veja as marcas aqui.

“Being transparent creates the opportunity for collaborative action between companies, governments, NGOs, unions and the public to work towards building a fairer, cleaner and safer fashion industry”, Fashion Transparency Index.

Outra iniciativa que ajuda a identificar práticas das empresas é a Know the Chain, que avaliou os esforços de 20 empresas do setor de vestuário e calçados para proteger e erradicar o trabalho análogo ao escravo em suas cadeias produtivas globais. Veja as marcas aqui.

A marca de roupas esportivas Patagonia é referência no setor, pois informa aos seus clientes todo o ciclo de produção de uma peça e quais os custos ambientais e sociais para que ela seja feita. Todas as informações estão disponíveis no site da marca. Veja o mini documentário “Fair Trade: the first step” (comércio justo, o primeiro passo) realizado pela marca.

Já a empresa americana Planet Money criou uma série de vídeos no qual explica, em cada capítulo, uma etapa do processo de fabricação de sua camiseta. O objetivo é contar a história das roupas e das pessoas por trás delas.

No Brasil, vemos iniciativas como a Moda Livre, já citada no Blog SDF, um aplicativo avalia as principais varejistas de roupa do Brasil e empresas que já foram flagradas pelos fiscais do Ministério do Trabalho (MTE) em casos de trabalho escravo.

Além de marcas como Flavia Aranha e Catarina Mina, que expõem ao consumidor todas as informações a respeito das etapas de suas produções e as pessoas envolvidas. Muitas marcas estão adotando ferramentas que ajudam a rastrear todo o processo de produção e buscam certificações, como a Certificação de Fornecedores – ABVTEXe o Sistema B, por exemplo.

Já como consumidores, a partir do momento que temos informações a respeito e entendemos como são fabricadas as peças de roupas, calçados ou qualquer coisa que compramos, temos mais consciência de todo esforço e recursos necessários. Como consequência, faremos melhores escolhas em cada compra, além de pressionar as empresas e governos por mais transparência e soluções.

Sabemos que qualquer produto para existir gera impactos, sociais e ambientais, por isso, informação e transparência são fundamentais para que as marcas possam identificar e ajustar os problemas encontrados.


Referências

http://www.ecouterre.com/this-graphic-sums-up-how-complex-the-fashion-supply-chain-is/

http://fashionrevolution.org/wp-content/uploads/2016/04/FR_FashionTransparencyIndex.pdf

http://fashionrevolution.org/como-a-transparencia-pode-ajudar-a-transformar-a-industria-da-moda/

Matérias-primas inovadoras na indústria da moda

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Já sabemos que a indústria têxtil é uma das maiores poluidoras do mundo. Todo ano, cerca de 80 bilhões de peças de vestuário são produzidas mundialmente gerando um enorme impacto ambiental – desde a fabricação de matérias-primas, produção e descarte pós consumo.

Com esse problema em mente algumas empresas do setor estão buscando matérias-primas alternativas para minimizar os impactos gerados.

Abaixo, listamos algumas das inovações que já estão acontecendo e podem revolucionar a indústria têxtil e da moda.

Tecido feito de cogumelos

A empresa italiana Grado Zero Espace desenvolveu um tecido feito a partir de cogumelos. Chamado de Muskin, o material é altamente resistente e parecido com a camurça. Seu processo de fabricação é similar ao do couro de origem animal, que é curtido, mas com a vantagem de ser 100% natural. Nos testes feitos em laboratório o tecido apresentou alta performance, não apresentando proliferação de bactérias, além de apresentar uma alta capacidade de absorver umidade e depois liberá-la, sendo um material ideal para palmilhas, sapatos ou pulseiras de relógio, por exemplo.

O Muskin é fabricado em quantidade suficiente para garantir a produção em pequenas séries. Esse tecido pode ser usado em bolsas, chapéus, calçados, jaquetas e acessórios gerais.

“Couro” feito a partir das folhas do abacaxi

A empresa londrina Ananas Anam, criada pela designer têxtil Carmen Hijosa em parceria com o Real College of Art de Londres. desenvolveu um inovador couro ecológico totalmente natural e sustentável a partir das fibras das folhas de abacaxi, que normalmente são descartadas.

Chamado de Piñatex™ esse couro é macio, leve, flexível, moldável e facilmente tingido para aplicações em sapatos, bolsas e estofados.

Foi durante uma visita a Filipinas que Carmen Hijosa percebeu que as fibras das folhas do abacaxi tinham um enorme potencial para a produção têxtil, além de usar as habilidades e matérias-primas locais.

Sendo um subproduto da colheita de abacaxi, para a produção do Piñatex ™ não é necessário consumo extra de água, fertilizantes ou pesticidas, gerando menos impactos ambiental e uma alternativa sustentável ao couro tradicional.

Saiba mais sobre o processo de produção do Piñatex™ nesse video.

Tecido feito a partir do leite

O Qmilk foi desenvolvido através de um processo inovador que produz fibra de tecido a partir do leite impróprio para o consumo. A empresa alemã, Qmilch GmbH, é a primeira a usar fibras de leite para produzir roupas sem adicionar químicos e com o mínimo de consumo de água em seu processo – para a produção de 1 kg de fibra Qmilk são necessários, no máximo, 2 litros de água enquanto que para produção de 1 kg de algodão são necessários cerca de 20 mil litros de água.

Além das vantagens ambientais, o tecido é macio e confortável, com toque sedoso na pele e ao ser lavado seca duas vezes mais rápido do que o algodão. Também ajuda a regular a temperatura corporal, é dermatologicamente testado e totalmente biodegradável.

Tecido feito de banana

A companhia têxtil especializada em tecidos eco no Reino Unido, Warehouse Offset, em parceria com uma organização não governamental no Nepal desenvolveu um tecido feito 100% de banana.

Os resíduos e sobras das colheitas da fruta são usados na produção desse tecido que possui o fio grosso e quente, mas macio. A textura pode ser comparada ao cânhamo e ao bambu e pode ser usado para confeccionar jaquetas, calças, camisas, mochilas, além de artigos de decoração.

O processo, desde a extração até a tecelagem, é artesanal, tem baixo consumo de energia, baixo impacto no processo de tingimento e branqueamento, e baixo consumo de água.

“Couro” feito a partir de chá fermentado

Talvez uma das inovações mais peculiares! Pesquisadores da Universidade de Iowa, EUA, encontraram um método que transforma chá fermentado – Kombucha – em couro. As bactérias do chá fermentado criam uma película de composto de fibra de celulose que, uma vez recolhida e seca, dá origem a um material muito similar ao couro e, pode ser, no futuro, uma alternativa para indústria da moda. Como as fibras são totalmente biodegradáveis, os produtos produzidos a partir deste tipo de couro falso têm um ciclo de vida ainda mais sustentável. Para saber mais sobre essa técnica veja aqui.

Alternativa para resíduos jeans

O designer holandês Marc Meijers, após quatro anos de pesquisa, desenvolveu um material chamado DenimX que é produzido a partir da combinação de fibras recicladas de jeans e bioplásticos. Esse material é versátil em acabamento e composição e pode ser adequado dependendo do produto final – pode ser duro, forte, leve e de espessura fina, por exemplo. Esse material é ideal para ser aplicado em mobiliários, objetos de decoração e acessórios.

É uma ótima alternativa para reutilizar o desperdício têxtil e jeans descartados transformando-os em novos produtos. Saiba mais aqui.

Há muitas outras inovações sendo adotadas pela indústria, além dessas citadas acima, é só fazer uma busca rápida no google e é possivel encontrar diversas empresas que estão investindo no desenvolvimento de novas tecnologias e matérias-primas mais sustentáveis e menos nocivas ao meio ambiente.

O papel do consumidor é fundamental nesse ciclo, de questionar as marcas, buscar alternativas de consumo e fazer melhores escolhas, para incentivar, cada vez mais, mudanças no setor.


Referências

http://ciclovivo.com.br/noticia/tecido-feito-de-cogumelos-pode-substituir-couro-e-camurca/

http://www.stylourbano.com.br/couro-ecologico-utiliza-fibras-da-folha-de-abacaxi-que-sao-descartadas/

http://www.ecouterre.com/faux-leather-made-from-fermented-tea-could-revolutionize-fashion/

http://www.themarysue.com/tea-leather/

http://www.thealternative.in/lifestyle/sustainable-fabric-innovations-guilt-free-fashion-experience/

http://www.ecoera.com.br/2015/04/13/que-tal-um-tecido-feito-100-de-banana-para-te-aquecer-no-inverno/

A escravidão escondida entre as máquinas de costura

 

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Crédito foto: Renato Bignami | Repórter Brasil

Notícias sobre o cenário de violações de direitos em que muitos trabalhadores da indústria têxtil estão submetidos não são novidade. Mas, engana-se quem pensa que trabalho análogo ao escravo, trabalho infantil, péssimas condições e jornadas exaustivas são problemas distantes do Brasil, infelizmente essa situação está bem próxima de nós.

Quer um exemplo? Essa semana auditores do Programa de Erradicação do Trabalho Escravo, do Ministério do Trabalho e Emprego responsabilizaram a empresa Brooksfield Donna por trabalho escravo e infantil. Foram encontrados em uma pequena oficina no bairro de Aricanduva, em São Paulo, cinco trabalhadores bolivianos, incluindo uma menina de 14 anos, que viviam e trabalhavam em condições precárias. O grupo não tinha carteira assinada ou férias e os salários dependiam da quantidade de peças produzidas (R$6,00 em média por roupa costurada). Leia a matéria completa aqui.

Este é mais um caso triste e vergonhoso que vem mascarado em roupas de luxo que podem ultrapassar R$ 500,00. Infelizmente há muitos outros envolvendo marcas nacionais. A ONG Repórter Brasil acompanha as fiscalizações nas confecções desde 2009 (aqui estão algumas marcas que já foram flagradas nessa situação).

Mas o que caracteriza um trabalho escravo nos dias de hoje?

De acordo com o artigo 149 do Código Penal brasileiro, esse tipo de relação se dá quando: existem condições degradantes de trabalho, jornada exaustiva, trabalho forçado e servidão por dívida. Em resumo, todo o regime de trabalho humilhante que prive o trabalhador de sua liberdade, além de ferir sua dignidade.

Estima-se que atualmente mais de 40 milhões de homens, mulheres, crianças e adolescentes no mundo vivam nessa situação, atuando em diversos setores para fabricação de produtos que consumimos diariamente.

No Brasil a existência do trabalho escravo contemporâneo foi reconhecido pelo governo em 1995, sendo uma das primeiras nações do mundo a admitir o problema em seu território. Até 2013, os maiores indices eram encontrados em atividades econômicas rurais, porém a partir deste ano as violações  se deram principalmente na zona urbana, em setores como a construção civil e têxtil.

O número de crianças e adolescentes que trabalham em confecção e comércio de tecidos, artigos de vestuário e acessórios também é alarmante, estima-se que mais de 114 mil encontram-se nessa situação apenas no país.

Buscando, justamente, sensibilizar e conscientizar os consumidores, entre os dias 16 a 22 de junho a Fashion Revolution Brasil organizou em São Paulo a sua segunda edição do Fashion Experience. A instalação, realizada juntamente com o Ministério Público do Trabalho, a organização internacional 27 Million e o movimento global Stop The Traffik, simulava uma loja itinerante com ofertas de roupas a R$9,90. Ao entrar o visitante se deparava com uma oficina de costura em condições precárias. O objetivo da ação era impactar, mas também mostrar alternativas e possibilidades de mudança, além da importância do consumo consciente. Saiba mais sobre a ação aqui.

Ações como da Fashion Revolution Brasil são fundamentais para despertar a consciência e  percepção do nosso protagonismo como consumidores. Temos um poder gigante nas mãos e precisamos colocar isso em pratica! Devemos sempre  questionar as marcas e exigir mais transparência! É nossa responsabilidade também  saber qual a procedência dos produtos que compramos!!

Façamos disso um lema: #quemfezminhasroupas?

Saiba mais sobre o assunto:

Trabalho Escravo Contemporâneo – 20 anos de combate no Brasil – Repórter Brasil 

Global Slavery Index – Region Analysis – The Americas 

Fashion Revolution

Conheça Ongs que trabalham para erradicação do trabalho escravo e tráfico de pessoas:

27 Million

Stop The Traffik 

Conhece algum caso de trabalho escravo? Denuncie aqui.


Referências

https://www.walkfree.org/modern-slavery-facts/

http://www.ilo.org/brasilia/temas/trabalho-escravo/WCMS_393066/lang–pt/index.htm

http://www.ilo.org/brasilia/noticias/WCMS_476140/lang–pt/index.htm

http://www.bbc.com/portuguese/brasil-36574637

http://reporterbrasil.org.br/trabalho-escravo/

http://www.inpacto.org.br/2015/06/oit-alerta-168-milhoes-de-criancas-realizam-trabalho-infantil-no-mundo/

http://escravonempensar.org.br/livro/capitulo-1/

http://fashionrevolution.org/

Mas, por onde começar?

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Sabemos que ir contra o consumo desenfreado e as tendências de moda não é fácil, afinal vivemos nesse sistema e crescemos acreditando que comprar é sinônimo de satisfação.

Então, por onde começar?

 Repense, entenda e questione-se

 Vale sempre pensar: será que realmente preciso de tudo o que compro?

 Não trata-se de deixar de consumir, mas podemos pensar duas vezes antes de comprar e se for realmente necessário, termos critérios para a escolha da marca.

 Por isso, antes de se deixar seduzir por alguma promoção, é melhor dar uma olhadinha no guarda-roupa e conferir se realmente está faltando alguma coisa. Lembre-se: reflita e repense seus atos!!

 Além disso, é fundamental entender todo o contexto e processo de produção da moda. Busque informações e questione, pois existem muitas marcas grandes criando estratégias de marketing para parecer mais “verde”, mas que no fundo, de verde só tem a cor da peça. Certifique-se e seja curioso. Não aceite respostas pela metade!

 Reinvente-se e faça durar as peças que você já tem

 Calma, não precisamos nos desfazer de todo guarda-roupa porque a maioria das peças vem de marcas fast fashion. Afinal, os impactos  para a produção destas roupas já foram gerados e jogá-las fora não seria a solução, contribuindo apenas para o aumento da produção de lixo. É nosso dever amenizar  esses danos!

 Faça suas peças durarem ao lavar menos e preferindo utilizar água fria ou morna. O jeans, por exemplo, não precisa ser lavado constantemente. Evite secadoras e sempre verifique as instruções indicadas nas peças (mais da metade da energia usado no ciclo de vida do algodão vem dos processos de lavagem e secagem).

Outra dica é customizar e reformar suas roupas. Aprenda a costurar ou visite a costureira do bairro. Existem vários projetos legais como a Costureirinha que organiza oficinas de costura e o projeto Re-Roupa, da Gabriela Mazepa, que ministra oficinas ensinando a técnica de upcycling (transformar resíduos em novos produtos). O pinterest também é uma ótima ferramenta para encontrar inspirações de projetos e tutoriais ao estilo “faça você mesmo”.

 Antes de comprar, verifique se não há outras alternativas.

 Hoje encontramos várias alternativas bacanas que incentivam o consumo consciente sem precisar comprar algo novo. Há inúmeros brechós, feiras e eventos de troca de roupas e oficinas de customização e upcycling.

Confira uma lista incrível no nosso site www.slowdownfashion.com.br 🙂

 Trocas de roupas e histórias

 A troca de roupas vem ganhando visibilidade por conta do lançamento de aplicativos e sites que incentivam essa prática. O Projeto Gaveta nasceu com o intuito de difundir o conceito de clothing swap (troca de roupas). Todo ano acontece uma edição e participar do evento é uma experiência que vai muito além da roupa.

 Outro bom exemplo é o aplicativo Tradr, o “tinder de roupas usadas”, em que você troca sua roupa com alguém que também curtiu a sua peça.

 Receber roupas de amigos e familiares que estão se desfazendo de peças que não usam mais é uma outra forma de aproveitar itens que estava em desuso e além disso, que trazem  consigo as histórias e o carinho de cada pessoa querida que lhe presenteou com a peça.

 Se for comprar, opte por peças de qualidade e feitas localmente

 Quando for comprar, escolha produções pequenas e que utilizam tecidos naturais ou reciclados (orgânicos, se puder). Busque peças com maior qualidade e versatilidade. Opte por modelos clássicos ao invés de tendências de moda passageiras,  contribuindo para um guarda-roupa mais durável.

 Incentive produções artesanais, que utilizam técnicas tradicionais ou locais e que apoia a diversidade cultural.

 Lembre-se  que cada gesto conta! 🙂

 Para inspirar: texto sobre Lowsumerism da agência Box1824.

Você sabe onde, por quem e do que é feita sua roupa?

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Trailer do documentário Slowing Down Fast Fashion

Você já assistiu ao documentário “The True Cost”? Ele desvenda os bastidores da indústria da moda, principalmente do fast fashion e seus riscos ao meio ambiente e as pessoas. Se ainda não viu, precisa ver e o melhor, está disponivel no NetFlix ;).

Outra ótima novidade, é estreia em junho de um novo documentário, intitulado “Slowing Down Fast Fashion”, que aborda o mesmo tema. Dessa vez o diretor do filme é o baixista da banda Blur, Alex James.

O músico resolveu fazer esse filme porque acredita que quanto mais entendermos e nos informamos a respeito de nossas roupas, melhores escolhas faremos. “O barato não significa, necessariamente, bom investimento. É incrível como sabemos muito pouco sobre como as roupas são feitas, de onde elas vem e por quem são feitas”, afirma Alex James.

No filme, James tem a missão de aprender sobre o fast fashion e as possibilidades disponíveis para a pela moda sustentável. Ele entrevista a Elizabeth Klein, que já foi viciada em compras, e juntos visitam várias lojas com o objetivo de investigar e buscar informações a respeito de quais materiais são utilizados, onde foram feitas e a que preço são vendidas as roupas. “Nós fomos treinados a achar que pagar mais é um assalto, quando a única razão pela qual eles podem cobrar tão pouco por essas roupas é porque vendem muito e os trabalhadores que as produzem ganham muito pouco demais”, explicou Elizabeth.

Além de questões como produção desenfreada, busca de materiais de baixo custo e preços baixíssimos, James também entrevista a psicóloga Pamela Nell sobre os hábitos de consumo das pessoas hoje em dia. Para ela, esse tipo de compras é quase como uma droga e vicia do mesmo jeito. A sensação de satisfação passa rapidamente, o que leva a pessoa a sair para comprar mais e mais,  gerando um ciclo vicioso.

“Slowing Down Fast Fashion” também aborda o uso de material sintético e como isso gera um impacto negativo para o meio ambiente. Entre uma de suas experiências, James, coloca fogo em dois suéteres, um de lã e outro de fibra acrílica. O de lã fica apenas com um buraco enquanto o sintético queima-se por inteiro.

Outra experiência apresentada no filme é da ONG Campaign for Wool. Seu patrono, Príncipe Charles, enterrou dois suéteres no jardim de sua casa em Londres, em 2014: um de lã e outro de fibras sintéticas. No filme, ele desenterra as peças e vê que o suéter de lã se decompôs, enquanto o sintético permanece intacto.

Dá para imaginar o impacto que geramos ao jogar fora uma quantidade altissíma de roupas todos os anos e, especialmente roupas de baixa qualidade? É triste pensar que esse lixo não se decompõe e que como consequência estamos causando danos irreversíveis ao planeta.

“Esperamos que esse filme incentive o maior número possível de pessoas a pensar sobre o que estão usando. Não escolher as peças apenas por ser bonita, mas entender do que é feita, o que acontecerá quando for descartada e se ambientalmente vale a pena. Queremos que as pessoas abram os olhos. Elas podem achar que é fibra natural, mas devem sempre partir do princípio de que não é. Com sorte, nossa iniciativa vai fazer com que as pessoas pensem mais em compras de investimento e qualidade”, comentou o porta-voz da produtora que fez o documentário.

O filme estreará no Festival de Filmes de Moda de Berlin em junho e será lançado oficialmente para o público no final do ano, juntamente com a Wool Week (semana da lã) promovida pela ONG The Campaign for Wool.

Assista o trailer (em inglês): https://vimeo.com/163551947

As Ongs The Campaig Wool e Fashion Revolution apoiaram o filme.

Saiba mais em: The Campaig for Wool ; Fashion Revolution


Referências:

http://wwd.com/eye/parties/fashion-designers-brands-slowing-down-fast-fashion-documentary-vivenne-westwood-christopher-raeburn-10417082/

http://juliapetit.com.br/moda/alex-james-lanca-documentario-sobre-consumo-consciente-e-males-do-fast-fashion

Slow Down Fashion

Precisamos repensar a maneira que consumimos moda. A indústria têxtil é uma das maiores poluidoras do mundo. Todo ano, cerca de 80 bilhões de peças de vestuário são produzidas mundialmente gerando um enorme impacto ambiental. Além da questão ecológica, sabemos das terríveis condições de trabalho que estão presentes nessa indústria.

Enfim, não dá mais para ignorar os impactos gerados, precisamos consumir menos e fazer melhores escolhas.

E é exatamente essa a proposta do movimento Slow Fashion, é uma visão para a indústria têxtil e de moda com base na integridade ecológica e qualidade social através de produtos, prática de uso e relações.

Construir um relacionamento ético e justo, usar materiais locais e de qualidade, gerar menos impacto ambiental e adotar novas alternativas de consumo são alguns dos valores desse movimento.

Várias marcas e projetos que estão alinhados aos valores do Slow Fashion já existem e o objetivo do site Slow Down Fashion é reunir tudo isso em um só lugar.

Slow Down Fashion é um guia de marcas locais e inovadoras, além de um espaço para divulgar e compartilhar novos projetos e ideias.

Cada decisão que você faz como consumidor importa e pode ajudar a construir uma sociedade mais sustentável, começando pela moda.