Compras por impulso, como evitá-las?

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Comprar pode melhorar o humor e gera em nosso cérebro um efeito semelhante ao sentido por usuários de drogas. Para Kit Yarrow, psicólogo de consumo baseado em São Francisco e autor do livro ‘Decodificação da nova mente do consumidor’, no instante em que decidimos comprar, nos sentimos bem e há uma onda de emoção positiva, mas depois, pode vir um sentimento de culpa e arrependimento.

Não são as coisas que desejamos, mas sim, é o processo de compra que pode nos deixar viciados. Nós precisamos de mais e temos que voltar para mais.

Segundo a pesquisa “Retail Therapy: A Strategic Effort” [“terapia de varejo: um esforço estratégico”, em tradução livre] realizada em 2016 com mais de mil adultos nos Estados Unidos, a chamada  “terapia de compra” é um comportamento de consumo prevalente e usado como esforço estratégico para melhora do humor. De fato, 96% dos americanos disseram ter comprado algo para se sentir melhor, de acordo com estudo realizado pela ebates.com em 2014 com mais de 1.000 participantes.

Mas os benefícios dessas compras não planejadas geralmente duram pouco. Se comprarmos mais do que devemos ou do que planejamos na tentativa de sanar sentimentos ruins essas mesmas emoções negativas acabam voltando, em forma de remorso e culpa.

“Ao comprar impulsivamente estamos na verdade tentando controlar nossas emoções”, afirma Joanne Corrigan, psicóloga clínica especializada em terapia focada em compaixão e baseada em Sydney, na Austrália.

Pesquisas revelam que quando nos sentimos deprimidos, aflitos, ansiosos ou mal humorados nossa capacidade de autocontrole diminui, aumentando a probabilidade de tomarmos decisões erradas e não planejadas. Isso pode resultar em comportamentos que são mais indulgentes e que proporcionam gratificação imediata para reparar esses sentimentos.

A matéria da BBC Brasil – “O que leva às compras por impulso – e como educar a mente para fugir delas” – nos dá algumas dicas de como evitar esse comportamento:

  • “Você precisa ter uma visão de longo prazo do que realmente vale a pena, mas esse é um ponto que as pessoas têm muita dificuldade para entender: dar peso suficiente a coisas que acontecem não agora, mas no futuro”, Robert Frank, economista da Universidade de Cornell, nos EUA;

  • “Quanto mais você se sentir agradecido em seu dia a dia, mais preparado você vai estar para ter maior controle e resistir a essas tentações quando elas aparecerem”, David DeSteno, professor de psicologia na Universidade de Northeastern em Boston;

  • Se possível, coloque itens em espera e faça a compra no próximo dia;

  • Para evitar ser vítima das estratégias de marketing, pesquise online apenas itens específicos e diminua as visitas aos shoppings;

  • Se pudermos motivar nosso “cérebro passional” – a parte que acalma sentimentos de ansiedade – então não precisamos dar vazão ao impulso e buscarmos esses pequenos estímulos prazerosos de curta duração, Joanne Corrigan, psicóloga clínica especializada em terapia focada em compaixão e baseada em Sydney, na Austrália.

Confira a matéria completa da BBC Brasil aqui.

Mais sobre o assunto:

Estudo “Retail Therapy: A Strategic Effort” por A. Selin Atalay e Margaret G. Meloy.

Matéria BBC –  “Shopping a sale gives you the same feeling as getting high”.

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DROPS SDF #1

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Quer saber as principais notícias e dicas sobre moda e comportamento desse mês?

Confira o que separamos no Drops SDF 🙂

Programa Sebrae Moda Sustentável 

O Sebrae Rio de Janeiro selecionará 40 microempreendedores individuais, micro e pequenas empresas do setor da moda – dos segmentos de vestuário, acessórios em couro, calçados, bijuterias e jóias para participarem do programa Sebrae Moda Sustentável.

O objetivo do programa é fomentar e incentivar a adoção de boas práticas sustentáveis no setor, estimulando a competitividade e a inovação dos pequenos negócios de moda no mercado.

Duração: 15 meses (de julho de 2017 a setembro de 2018). Inscrições até: 26 de junho no site do Sebrae. Mais informações aqui.

Google lança plataforma sobre moda e cultura, o We Wear Culture

Desenvolvido pelo Google Arts & Culture a plataforma permite explorar moda, arte, comportamento e cultura através de um acervo gigantesco que contém filmes raros e milhares de imagens que contam três mil anos de história. O projeto é fruto de colaboração com mais de 180 instituições culturais em 42 países, inclusive o Brasil.

Prepare-se para ficar horas explorando esse acervo virtual onde é possível navegar pelas histórias das celebridades e estilistas mais influentes, conhecer os movimentos que surgiram  na Corte de Versalhes até às ruas de Tóquio, descobrir a origem e história das peças que usamos e o impacto na moda, da economia e a criação de empregos até o empoderamento de comunidades.

São mais de 400 exposições e histórias online que compartilham um total de 30.000 fotos, vídeos e outros documentos, Quatro experiências de realidade virtual com peças icônicas da moda e mais de 40 locais com acesso aos bastidores no Google Street View

A plataforma Google Arts & Culture é gratuita e está disponível na web, e no aplicativo para iOS e Android.

H&M, Zara e Mark & Spencer são algumas marcas ligadas à fábricas de viscose altamente poluidoras na Ásia, segundo relatório da Fundação Changing Markets

Apesar da viscose ser considerada uma alternativa sustentável ao algodão e ao poliéster, pois é feita de celulose ou polpa de madeira, a maioria das viscoses modernas são produzidas com um alto índice de químicos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.

Uma investigação realizada pela Fundação Changing Markets visitou 10 fábricas na China, Índia e Indonésia, e encontrou danos ambientais graves, incluindo a poluição da água por resíduos contaminados não tratados e poluição do ar. A produção de viscose nessas regiões está contaminando a água fornecida a toda a população e aumentando a possibilidade de risco de câncer.

As marcas alegadas pelo relatório a partir dessas fábricas incluem H & M, Inditex (o proprietário de Zara), Marks & Spencer e Tesco. Segundo o jornal The Guardian, a maioria das marcas contactadas pelo jornal reconheceu que os impactos da produção de viscose são um problema de toda a indústria e dizem que estão explorando maneiras de produzir de forma mais responsável.

Além da contaminação da água, o relatório aponta que a produção de viscose também utiliza químicos pesados – dissulfureto de carbono – que está prejudicando tanto os trabalhadores das fábricas quanto as pessoas que vivem perto delas. Essa toxina tem sido associada a doença cardíaca coronária, defeitos congênitos, doenças da pele e câncer. Outros produtos químicos tóxicos utilizados na produção de viscose incluem hidróxido de sódio (soda cáustica) e ácido sulfúrico.

Confira a reportagem aqui e aqui.

Italiano cria couro feito a partir dos resíduos da produção de vinho

Designer italiano, Gianpiero Tessitore, criou o Wine Leather® (Couro de Vinho), um tecido tão maleável e durável como o couro feito com peles de animais. Após dois anos de estudo e testes o designer conseguiu criar o tecido prensando as fibras vegetais das casas e sementes de uva.

O Wine Leather® é o primeiro produto da empresa VEGEA Company, fundada por Gianpiero em janeiro de 2016 e pode ser usado para fabricação de bolsas, calçados, revestimentos de móveis e para tudo mais que o couro convencional é usado atualmente.

Confira a matéria completa aqui.

Para inspirar | Veja o Documentário The Next Back – A film about the Future of Clothing

Um filme sobre o futuro da moda que explora diversos temas como tecnologia e sustentabilidade. Conversas com a marca Patagônia e Adidas, estúdio XO e BioCouture, consultoria que estuda organismos vivos para cultivar roupas e acessórios.

Confira aqui (em inglês).

Em um mundo regido pelo excesso como saber se o que já temos é suficiente?

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Busca-se o tempo todo coisas novas que, ao final não dão satisfação. Cada vez temos mais coisas, mas não significa que estamos mais felizes” essa frase do filósofo francês Gilles Lipovetsky não poderia ser mais atual, vivemos em uma sociedade de produção e consumo em excesso e esse modelo está nos levando ao limite.

Se mantivermos estes padrões atuais de comportamento antes de 2050 vamos precisar de duas Terras para nos sustentar, por isso precisamos, urgentemente, mudar nossos hábitos.

O grande problema é que com o modelo econômico atual desconhecemos a moderação e somos levados a acreditar que conseguiremos encontrar a felicidade e aceitação dos outros por meio do que compramos e acumulamos. Se somos constantemente seduzidos a praticar o consumismo, como saber se o que já temos é suficiente? E como conseguiremos alcançar o desenvolvimento sustentável?

É necessário uma mudança de mentalidade pessoal, um despertar da consciência de cada um de nós para compreender que a forma que vivemos hoje é insustentável.

O acúmulo de bens pessoais não é sinônimo de êxito nem de qualidade de vida e muito menos nos traz a felicidade prometida. Além disso estamos em dívida com o planeta, utilizamos os recursos ambientais como se fossem infinitos sem pensarmos nas consequências. Sem contar que ainda existem muitas pessoas que não dispõem nem do básico para a sobrevivência enquanto uma mínima parcela lida com exageros diários.

Enfim, questionar essa cultura do excesso e desperdício é imprescindível atualmente.

As condições econômicas dos últimos dois séculos foram marcadas pelo imperativo do “cada vez mais”. Agora, será necessário empreender uma desmobilização econômica e reinventar uma economia com moderação. Em termos ambientais, isso significa que a suficiência (bem-estar com moderação) deve se aliar à eficiência (uso inteligente dos recursos) e à consistência (harmonia entre indústria e natureza) para que se possa transformar o sistema econômico. “Melhor”, “diferente” e “menos”, eis a trindade da sustentabilidade”, publicação da Fundação Heinrich Böll – Crítica à Economia Verde Impulsos para um Futuro Socioambiental Justo.

Para reinventar uma nova economia é fundamental aprendermos a abrir mão, fazer melhor e diferente. Cada decisão que fazemos gera um impacto e consequências para o meio ambiente e a sociedade.

Segundo a Fundação Heinrich Böll, “precisaremos da eficiência e da proteção dos recursos, assim como de uma política do “menos”, se quisermos que os recursos e a atmosfera sejam suficientes para todas as pessoas terem uma vida digna e sem miséria na Terra. Eficiência, consistência, suficiência e direitos humanos são elementos de uma economia verde, de um bem-estar com moderação”.

Mudança de paradigmas culturais é um processo longo, lento e gradual, mas viver de modo sustentável no futuro será algo tão natural como o consumismo é hoje. A mudança já começou enquanto você lia esse artigo. Agora vamos praticar!

Mais sobre Economia da Suficiência e Sociedade do Bem Estar 

Publicação da Fundação Heinrich Böll – Crítica à Economia Verde Impulsos para um Futuro Socioambiental Justo

Philosophy of Sufficiency Economy


Referências

https://br.boell.org/sites/default/files/ecologia_criticaeconomiaverde.pdf

 http://www.chaipat.or.th/chaipat_english/index.php?option=com_content&view=article&id=4103&Itemid=293

 http://pontoeletronico.me/2015/economia-sustentavel/

 http://www.radarrio20.org.br/index.php?r=conteudo/view&id=12&idmenu=20

 

Nesse Natal escolha consumir menos

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No meio da correria típica de final de ano, compras por impulso são muito comuns e, para evitarmos um Natal cheio de excessos é importante consumirmos com consciência, escolhendo melhor e analisando se de fato aquele produto ou serviço é realmente necessário.

Ainda mais agora que estamos enfrentando uma crise econômica, não faz sentido gastar  dinheiro que não temos com coisas que não precisamos. Segundo uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em todas as capitais do país, os consumidores vão gastar menos com presentes porque precisam economizar. A pesquisa relata que aproximadamente 137 milhões de brasileiros devem presentear alguém neste Natal sendo o gasto médio por presente de R$ 109,81, uma queda de 5,3% em relação ao ano passado.

E dá para aproveitar essa época sem comprar tanto, certo?! Com algumas simples mudanças conseguimos consumir melhor, evitar o desperdício – de dinheiro e recursos – e, claro, aproveitar muito ao lado da família e amigos.

O Instituto Akatu preparou algumas dicas para colocar em prática o consumo consciente e sustentável para as festas de final de ano. Separamos algumas, mas você pode conferir a lista completa aqui. Inspire-se e Boas Festas!

  • O valor do presente pode estar muito mais relacionado à sua criatividade e significado do que ao preço. Invista em projetos DIY – faça você mesmo – e/ou incentive comunidades locais comprando produtos artesanais, de produtores independentes e do comércio local;
  • Pesquise bem antes de comprar, procure fabricantes ambientalmente responsáveis, informe-se sobre como são feitos e por quem são produzidos. Valorize marcas que comprovadamente praticam a responsabilidade socioambiental;
  • Doar peças que estão esquecidas no guarda-roupa, organizar bazares de trocas entre amigos e a comunidade é uma ótima forma de dar um melhor uso às peças que já não utilizamos mais;
  • Grande parte do lixo produzido no Brasil é formado por embalagens e isso causa um grande impacto ao meio ambiente, por isso, evitar a geração desnecessária de resíduos é fundamental. Procure utilizar embalagens mais simples e que possam ser reutilizadas. Na hora do descarte, encaminhe o material para reciclagem.

Conheça o aplicativo Moda Livre e descubra de onde vem a roupa que você compra

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Sabemos que ser um consumidor consciente dá trabalho, afinal, não é tarefa fácil avaliar cada  marca e sua cadeia de produção já que encontrar informações a respeito é um dos principais empecilhos. A maioria das marcas, quando questionadas, acabam seguindo um discurso pronto e não explicam genuinamente como e em que condições são feitas suas peças de roupas. Porém, uma boa notícia é que aos poucos vemos surgir ferramentas que tem como objetivo facilitar essa busca e, com isso, fazermos melhores escolhas.

É o caso do aplicativo Moda Livre, desenvolvido pela ONG Repórter Brasil, referência nacional na defesa dos direitos humanos. O app avalia as principais varejistas de roupa do Brasil e empresas que já foram flagradas pelos fiscais do Ministério do Trabalho (MTE) em casos de trabalho escravo.

Todas as companhias listadas foram convidadas a responder um questionário baseado em quatro indicadores – políticas, monitoramento, transparência e histórico – e, com base nas respostas, receberam uma pontuação que as classifica em três categorias: verde, amarelo e vermelho.

“O aplicativo não recomenda que o consumidor compre ou deixe de comprar roupas de determinada marca. Apenas fornece informações para que faça a escolha de forma consciente”,  Repórter Brasil. A ferramenta está no ar desde 2013 e hoje conta com mais de 70 marcas. Você pode baixar o app – Apple Store e Google Play. Vale a pena!

Enquanto isso…

Um documentário investigativo foi ao ar no dia 24 deste mês na BBC UK onde expõe como fábricas na Turquia estão empregando ilegalmente imigrantes sírios para produzir roupas para marcas como Zara, Asos e Marks and Spencer. Veja o trailer aqui.

Infelizmente, essa realidade ainda está muito presente no dia a dia da indústria da moda. Por isso, ferramentas como o app Moda Livre são importantes, pois nos permite abrir os olhos e a entender que ao comprar uma peça de roupa vale levar em conta muito mais do que simplesmente o preço. A sua nova blusa de R$10 pode estar custando caro para quem a produz. Pense nisso.


Referências

http://juliapetit.com.br/moda/zara-asos-mango-e-marks-and-spencer-sao-envolvidas-em-escandalo-com-fabricas-turcas-empregando-imigrantes-sirios-ilegalmente

Porque consumimos? Hilaine Yaccoub fala sobre o consumo e a moda

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Repensar nossos hábitos e comportamentos de consumo é um dos assuntos mais comentados atualmente. Mas o que é o ato de consumir na sua essência? Porque consumimos? Essas e outras dúvidas foram respondidas pela antropóloga Hilaine Yaccoub em entrevista ao Slow Down Fashion.

ENSAIO DE HILAINE YACCOUB - NITERÓI - 24/07/2015 - FOTO: ILAN PELLENBERG

Hilaine Yaccoub é doutora (PhD) em Antropologia do Consumo (UFF-RJ) e atua como consultora independente, pesquisadora, escritora, palestrante, e, atualmente também realiza coaching e mentoria individuais ou em grupo e em empresas que desejam aumentar repertório analítico e conhecimento sobre temas relacionados ao consumo contemporâneo e comportamentos socioculturais. Também é professora do Instituto Europeu de Design (IED), da Fundação Getúlio Vargas (MBA em Negócios de Luxo) e professora visitante do Mestrado em Marketing da Universidade Javeriana em Cali, na Colômbia. É também co-criadora do MBA em Estratégias e Ciências do Consumo da ESPM, no Rio. Veja  sua biografia completa aqui.

Confira abaixo esse bate-papo super interessante sobre comportamento de consumo e moda.

Sabemos que o ato de consumir é muito mais do que adquirir itens destinados à sobrevivência.  Diante disso, como podemos explicar o consumo na sociedade atual?

O consumo é um tema complexo por si mesmo. É uma forma de mantermos vivos mas também de nos diferenciar, de construir significados sobre quem somos, de onde viemos, nossa tradição e pra onde queremos ir. É um norteador de um processo social que vai se construindo antes mesmo de nascermos. Somos o que somos porque comemos certos alimentos, nos vestimos de determinada maneira, assistimos uma gama de canais ou seriados, gostamos de certo estilo de música…todo nosso mundo concreto está voltado para escolhas que são expressas através do gosto que é regido por uma hierarquia cultural de desejos.

E qual o perfil do consumidor contemporâneo no brasil?

Multifacetado, plural, diverso. Em cada grupo sociocultural ou etário temos a diversidade como mote norteador. Não há um perfil e sim perfis e cada grupo constrói uma gramática própria de como viver bem, o que é prestigioso, o que é bom e de qualidade etc… Satisfações são diversificadas e cada grupo procura seu próprio caminho e estilo de vida que melhor irá compor sua lógica de pensamento e vida.

“Busca-se o tempo todo coisas novas que, ao final não dão satisfação. Cada vez temos mais coisas, mas não significa que estamos mais felizes”, você concorda com essa frase do filósofo francês Gilles Lipovetsky? Porque ainda buscamos essa “fórmula da felicidade” que já se demonstrou falida?

Falida até a segunda página. Se fosse falida não teríamos o consumismo, o exagero ao consumo, como uma das principais expressões da sociedade contemporânea. O gosto pela novidade pode ser explicado, pelo fato do consumidor acreditar que os produtos desconhecidos são potencialmente mais prazerosos, pois os desejos e as imagens a eles atribuídos nunca foram colocados à prova da realidade. No entanto, consumir é um aprendizado. Quando passamos por escassez e ganhamos dinheiro nos vemos “freak descontrol” para comprar tudo que sempre sonhamos, de repente. Passado um tempo vemos que quanto mais coisas, mais tempo devemos ter para cuidar delas, e aí se é colocado a prova. Ou teremos que ser mais minimalistas e apostar em durabilidade ou vamos comprar tudo e depois ter lugar pra guardar, tempo para limpar, dinheiro para contratar funcionários que nos ajudem no dia a dia a lidar com o esse estilo de vida. A abundância nem sempre está na quantidade.

Como você avalia o comportamento de consumo de moda? Quais as principais motivações de compra?

Depende do grupo que estamos lidando, mas no geral é por distinção e inclusão social. A antropóloga Mary Douglas disse no seu livro (em parceria com o economista Baron Isherwood) que os bens são neutros, os significados que atribuímos a eles é que os elevam a cercas ou pontos. O que isso quer dizer? Se eu for antenada com a moda e consumir algo extremamente novo eu estou sendo incluída em um grupo percebido como fashionista, ou antenado, ou moderno etc… e assim mesmo eu me diferencio dos demais criando cercas. Mas em relação ao mundo da moda o produto que consumi é uma ponte, pois me liga a esse mundo pautado na diferenciação, ao novo, a arte etc. Construímos identidades através do consumo, a moda é uma dimensão dessa construção, inclusive para aqueles que não se percebem consumindo moda. Acredito que a cena do Diabo veste Prada foi emblemática para ilustrar este contexto quando a Miranda responde a Andie o porque dela estar usando determinado azul.

Na contramão do consumo desenfreado, estamos percebendo movimentos que questionam esse modelo e buscam alternativas, como por exemplo, consumo compartilhado, aluguel e troca de produtos. Como você avalia este tipo de iniciativa? Você acredita que realmente estamos mudando nosso pensamento e comportamento de consumo ou isso ainda vai demorar muito para acontecer?

Acredito que este comportamento seja muito comum em lugares como favelas, cidades pequenas e vilas, pequenos grupos que criam redes de confiança para potencializar seu consumo, trocar, compartilhar etc… mas precisamos aprender com eles muitas coisas pois somos muito apegados às coisas que possuímos. Muitas vezes, damos mais valores as coisas do que as pessoas. Possuímos uma gama de objetos que não emprestamos, não doamos, sequer pensamos em compartilhar. O carro é uma delas. Não esqueço uma vez em SP quando um rapaz dono de um carro de alto luxo bateu em um outro num cruzamento causando a morte do motorista (era uma moça), ele se sentou na guia da calçada e ligou para um amigo chorando a perda do seu carro. Perto dele havia um corpo e ele nem se tocou. Ele é uma má pessoa? Possivelmente não. Mas somos levados a crer que o carro importado classe A é expressão de sucesso, é a prova cabal que chegamos ao sucesso e realização pessoal.  Acredito que precisamos passar por muitas etapas até chegar a uma popularização destas iniciativas bem-intencionadas, ainda há filas nas portas de lojas fast-fashion que exploram mão de obra sobretudo a infantil nos países mais pobres em busca de melhores preços, certo?!

Você acredita que o papel do consumidor é importante para contribuir para essas mudanças? Consumo também pode ser um ato político?

O consumo é um ato político sem sombra de dúvida. Podemos boicotar, podemos não querer dado produto em nossas vidas porque não compartilhamos o mesmos regimes de valor. Cada vez mais se procura este engajamento, mas é preciso maior ênfase na educação para o consumo, algo que normalmente não se faz. Aprendemos muito a poupar, isso é falado a todo tempo nos programas de TV, mas dificilmente nos ensinam a comprar melhor, a consumir melhor. Este é um desafio para o século XXI.

Em linhas gerais, quais as principais tendências de mudanças na forma de consumir no futuro próximo?  

A fazer por conta própria o que poderia ser comprado pronto, estamos numa era de resgate da artesania que cada vez cresce mais. Precisamos também potencializar nosso tempo e resgatar valores como sociabilidade, e a internet será um fato decisivo. Estamos buscando alma e essência nas formas de consumo, esta é a principal tendência seja ela em que setor for.

Conheça mais sobre o trabalho da Hilaine Yaccoub no site www.hilaineyaccoub.com.br e instagram:@hilaine

 

 

 

O mundo que queremos é possível

the more beautiful

Em um tempo de crise social e ecológica já percebemos que o modelo atual é insustentável e brutal para todos. Mas, em paralelo a tudo isso, estamos vendo – e participando – de novos movimentos que tem valor de transformação. Queremos mudar modelos existentes e criar novos que sejam mais colaborativos e sustentáveis para todos e em todos os setores.

A dica de hoje é um vídeo inspirador do escritor Charles Eisenstein, baseado em seu livro “The more beautiful world our heart know is possible”. Charles acredita que “não podemos nos limitar aos entendimentos que já temos, é preciso pisar no desconhecido e temos que acreditar em um mundo mais bonito para poder servi-lo”.

Veja o vídeo completo aqui. Inspire-se 🙂

 

Saiba mais sobre o autor:

http://charleseisenstein.net/o-mundo-mais-bonito-que-nossos-coracoes-sabem-ser-possivel/

Mais textos para refletir sobre o assunto:

http://gustavotanaka.com.br/ha-algo-de-grandioso-acontecendo-no-mundo/

http://pontoeletronico.me/2016/aquario/