Tecnologia, Inovação e Moda

 

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Unsplash by Daria Nepriakhina

 

A tecnologia está revolucionando a maneira como usamos e nos relacionamos com a roupa. Tecidos inteligentes, werables (tecnologias vestíveis) e impressão 3D são algumas das inovações já possíveis no universo da moda.

Mas muito além de focar apenas na super tecnologia, muitos negócios estão  buscando unir inovação, moda e sustentabilidade para encontrar soluções para as questões ambientais enfrentadas pela indústria atualmente.

Já falamos no Blog sobre algumas matérias-primas inovadoras que estão mudando o cenário têxtil e da moda.

E para aprendermos mais sobre inovação e a indústria têxtil, o SDF conversou com a Liliana Rubio, engenheira química, Mestre em Gestão e Execução de Projetos de Inovação e fundadora de PMO Polymer Business Intelligence, escritório de projetos de inovação e do Ecossistema BioSmartTex para o desenvolvimento de projetos desde a criação até o produto final na Moda, que nos conta mais sobre tecidos inteligentes, biomimética e outros conceitos que estão moldando o futuro da moda e outros setores. 

1.   Poderia começar contando um pouco sobre você e seu trabalho?

Sou Innovation Builder, fundadora do PMO Polymer Business Intelligence um Bureau de projetos de inovação sustentável e Economia Circular, também fundadora do Ecossistema BioSmartTex para o desenvolvimento de projetos desde a criação até o produto final na Moda, Saúde & Bem-Estar e Arquitetura.

Sou Engenheira Química de formação e Mestre em Gestão e Execução de Projetos de Inovação e MBA em Gestão de Negócios. Tenho 18 anos de experiência trabalhando com polímeros e desenvolvimento de novos negócios de inovação e especialista em tecidos funcionais e interativos.  Também sou palestrante e colunista internacional em diversas Universidades e principais Congressos na América Latina, EUA e Ásia.

Fui ganhadora do prêmio de inovação Clariant Extra Award sobre pigmentos e aditivos naturais para bi polímeros; recebi menção de honra por negócios inovadores no concurso internacional “Plastic Smog Emissions Closed Loopon” (bio composites from waste micro plastic particles (beads and fibers) e fui patrocinadora e finalista nos concursos “Acelera Brasil” e “SUSTEX na Tunísia” por projetos relativos a Moda sustentável e Inteligente “Smart-Textile”.

2.   Qual a missão dos seus projetos – PMO Polymer Business Intelligence e o Ecossistema Bio Smarttex?

O ecossistema BioSmarttex é um Movimento SMART (referencial contemporâneo orientado a incentivar e desenvolver iniciativas e projetos de alto valor com visão de futuro e qualidade de vida no mundo atual) orientado para a criação e execução ponta a ponta de iniciativas de inovação sustentável e economia circular através de tecidos inteligentes e inteligência wearable (tecnologias vestíveis),  visando soluções nas questões fundamentais do homem contemporâneo e das cidades inteligentes nas áreas de bem-estar, saúde e urbanismo.

O ecossistema BioSmarttex integra uma equipe multidisciplinar das áreas de tecnologia, comunicação, ciências sociais e negócios e desenvolveu três projetos cápsulas de inovação e sustentabilidade chamada de “A Pele do Futuro”.

1. Bem Estar & Saude: A DOR ,  A pele do Futuro

2. Urbanismo & Arquitetura: UTILITAS WALL,  A pele do futuro

3. Fashion, Sports, Entretenimento: IONS, A pele do futuro

3.   Para você como a tecnologia e a inovação colaboram para a construção de uma moda sustentável?

Na Moda sustentável as coleções têm de estar à medida do mundo contemporâneo. Consideramos integrar o desenho inovador e sustentável com tecidos que brilhantemente incorporam novas estruturas de fios, a nanotecnologia, a microencapsulação (é uma tecnologia que permite o revestimento fino de componentes ativos com décimas de mícron até 5000 mícrons numa matriz, estes componentes ativos vão migrando controladamente e gerando algum tipo de efeito tais como os efeitos fitoterapêuticos) e a microelectrónica (é um ramo da eletrônica, voltado à integração de circuitos eletrônicos, promovendo uma miniaturização dos componentes em escala microscópica).

É assim como identificamos grandes origens de visão tecnológica, inovadora e sustentável, por exemplo, no mundo esportivo, nos Jogos Olímpicos da Antiguidade  realizados em Olímpia, na Grécia, do século VIII A.C. ao século V D.C., os atletas competiam nus para ter um maior controle do corpo e atingir seu melhor desempenho, era a pele aquele sofisticado órgão que o permitia, e é a pele que inspirou a origem das fibras inteligentes e interativas e tecidos funcionais embasados no princípio de “O TECIDO NOSSA SEGUNDA PELE” o qual é vigente até nossos dias.

Mas foi no século XIX, onde o  Barão Pierre de Coubertin fundador do Comitê Olímpico Internacional (COI) em 1894 com seu lema “CITIUS – ALTIUS-FORTIUS”, mas rápido, alto e forte, que se consegue consolidar o profundo impacto que a evolução dos tecidos tem tido no desenho e nos avanços tecnológicos fortemente voltados a atingir esse melhor desempenho de nossas funções corporais, físicas, mecânicas e químicas para o desenvolvimento de roupas mais sofisticadas.

A moda sustentável tem nome próprio “eficiência” e alta qualidade dentro de um marco de Economia Circular onde “menos é mais”.

4.   Qual o atual cenário sobre o tema – moda e tecnologia – no Brasil e na América Latina e quais são os principais desafios?

No dinâmico cenário atual, Inteligência e Interatividade são os valores de relevante influência que cimenta o futuro do mundo têxtil e moda, um dos mercados mais promissores no desenvolvimento científico atual, no Brasil, na América Latina e no Mundo.

Como nunca antes, o chamado “e- Têxtil” (termo internacional em inglês relativo a “Electronic textiles” que estão orientados a sistemas integrados dos tecidos com componentes eletrônicos como microcontroladores, sensores) inspira o umbral de uma revolução de materiais e tecnologias sem precedentes que modificará profundamente a forma como abordamos os desafios e megatendências da indústria têxtil e moda direcionando a um mercado inclusivo e interativo onde a funcionalidade e a sustentabilidade prevalecem.

O “e- Têxtil” é o ponto de interseção que incorpora o multidisciplinar e multi setorial em  diversas indústrias tais como a têxtil, cosmético, farmacêutica, saúde e plástico e integra brilhantemente a nanotecnologia com a microeletrônica.  É uma indústria que estatisticamente representa $3 bilhões de dólares com um crescimento anual estimado em 20%, e com um potencial inestimável de evolução nos próximos anos em importantes mercados como moda, arquitetura, saúde e esporte.

Este cenário inovador há fornecido um estoque inesgotável de ideias e soluções engenhosas durante décadas; “e- Têxtil” roupas inteligentes e interativas tem esse foco principal que é mimetizar e potencializar as funções naturais da pele humana, um campo revolucionário de inovação onde fatores como peso, forma, gerenciamento térmico, gerenciamento de umidade, proteção e saúde, e até estado psicológico são altamente relevantes e motivos de estudo.

O futuro das diversas aplicações da indústria “e- Têxtil” centra seus fundamentos nos pilares de conectividade e convergência, incorporando a megatendência Saúde & Bem-Estar, os princípios da Biomimética, os modelos de negócio relativos a customização e personificação,  o desenho eco têxtil, eco eficiente e sustentável. Tudo isso dentro de um cenário multissetorial e interconectado onde o mercado e consumo estão orientados a: Menor Tempo, Menor Esforço, Menor Movimento, o qual reflete em negócios lucrativos e sustentáveis.

O desafio criação, gestão e execução eficiente de ecossistemas voltados ao “e- Têxtil”. Nossa Jornada no Bureau PMO Business Intelligence e nosso Ecossitema BIOSMARTTEX.

5.   Poderia contar um pouco sobre o conceito da Biomimética e a importância de se inspirar na natureza para construção de negócios e produtos sustentáveis?

Depois de 100 anos imersos na revolução industrial se percebe que o mundo construído não está isolado do mundo natural, o mundo está intimamente conectado ao mundo natural.

Novamente, 3.8 bilhões de anos de evolução dos processos naturais para a preservação das espécies e seu hábitat nos ensinam através da biomimética como administrar os negócios sustentavelmente.

A biomimética vai mais longe de produtos ou processos científicos e tecnológicos; ela é âncora na gestão do conhecimento e execução eficiente da inovação sustentável e do empreendedorismo criativo reconstrutivista e não estruturalista. É uma gestão com visão de futuro.

Grandes profissionais de todas as áreas coincidem que a biomimética ultrapassará a biologia molecular, consolidando-se “como a mais desafiadora e importante ciência biológica do século XXI”, alinhada com a preocupação energética e ambiental que garanta nossa sobrevivência, permeando numa cultura com foco na inteligência coletiva das redes de comunicação que incorporaram novas práticas de desenho de um eco desempenho, um Eco Business onde Smart is the new green com caráter multidimensional.

Fina observação de milhares de reações químicas, físicas e mecanismos das espécies naturais que estão interconectadas nas redes através de ciclos que nos conduzem a compreender de que a realidade é complexa e não fragmentada, que tudo é interdependente.

Um reconhecimento dos sistemas vivos, como fontes da “Inovação inspirada na vida”, e exemplo para a incorporação de modelos de criação do DNA, auto regeneração e auto regulação.  Várias empresas com foco no “para o consumidor e o planeta” estão validando o conceito da biomimética e métodos de produção de valor produtos e modelos de negócio sustentavelmente corretos.

A biomimética, o caminho de volta para a exploração das imensas fortalezas naturais, onde o êxito está em Aperfeiçoar, “Observar” e Executar. 

A biomimética é o pilar fundamental para as companhias e grupos de nosso programa de mentoring “Innovation Hunter Lab” no Bureau PMO Business Intelligence.

6.   Em um de seus textos disponíveis no site DressStyle você comenta que “Como nunca antes, moda e arquitetura são o ponto de intersecção entre a inteligência e interatividade; valores relevantes no mundo dinâmico da “Internet das Coisas” com grande potencial para o futuro”, poderia falar mais sobre o papel da moda nesse cenário inovador?

Atualmente no Bureau desenvolvemos o projeto UTILITAS WALL que integra moda e arquitetura dentro do marco do Ecossistema e Economia Circular que tem como objetivo uma proposta de design e alta tecnologia de tecidos funcionais, wearables e recuperáveis.

A funcionalidade, a semiótica, as artes, o desenho são novos referenciais para entendermos a dinâmica da vida e para buscarmos soluções de essência na nova ciência da complexidade onde diversas disciplinas como moda, arquitetura, tecnologia convergem em um sistema interconectado com implicações enormes na gestão da inovação e desenho estrutural.

7.   Qual o papel do consumidor nesse cenário de mudanças?

Nesse cenário super urbanizado e superconectado, por exemplo, no Brasil de acordo com o Instituto de Geografia e Estatística – IBGE 84% da população se concentra em áreas urbanas.  Os estilos de vida, preferências e demandas comportamentais e mercadológicas tornam evidente a urgência em enfrentar as questões relativas a cidades sustentáveis, e ações de estímulo a novos materiais e desenvolvimento tecnológico na indústria, gerando a chamada “Inovação de Valor” que envolve novas estratégias como a Estratégia de Oceano Azul, novas abordagens de marketing como é Modelo SIVA (solução, informação, valor, acesso), novos modelos de negócio como é Ecossistema e Economia Circular.

Nesse cenário TUDO tem de estar baseado com foco “Do consumidor” e não nas velhas práticas de desenvolver produtos e serviços com foco “No consumidor”.  Nesse sentido de interatividade e convergência tem uma megatendência que sinaliza a personificação como um dos pilares onde o consumidor passa de ser um usuário a ser aliado e ator da mudança. A Era das Metrópolis!

8.   O que espera para o futuro da moda?

A moda dentro da Era das Metrópolis e as mega tendências se prevê que seja prática, conveniente, convergente e multifuncional!

 Liliana Rubio explica um pouco mais sobre o assunto nos vídeos abaixo, confira.

Smart Moda, Saude&BemEstar Smart arquitetura  

Para saber mais sobre o trabalho da Liliana Rubio confira seus textos na revista eletrônica Dress Style e acompanhe seus projetos no Facebook.

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Economia Circular e a Indústria da Moda

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Foto: Janko Ferlic | Unsplash

Se pensarmos na maneira como a natureza funciona notamos que não existe desperdício, tudo é aproveitado, é um processo cíclico e harmônico. Agora, se analisarmos como nós, humanos, temos atuado percebemos que nossa abordagem tem sido bem diferente.

Nosso modelo econômico atual é linear, dependemos de grandes quantidades de materiais e energia baratos e de fácil acesso que são processados e transformados em produtos, que logo serão descartados. Segundo o Fórum Econômico Mundial retiramos aproximadamente 65.000 milhões de toneladas de matérias primas ao ano, mas 80% desses materiais se tornam resíduos, o que representa uma perda irrecuperável de cerca de US$2,6 trilhões por ano. Um modelo que se baseia no desperdício e na superexploração de recursos naturais é um modelo insustentável, certo?

Mas a boa notícia é que esse ciclo está sendo quebrado e novos paradigmas estão surgindo, como a Economia Circular. Esse modelo propõe repensar e redesenhar a forma como produzimos e como consumimos, onde tudo possa ser recuperado e reutilizado, como acontece nos ciclos biológicos.

E para entendermos melhor sobre esse tema e sua relação com a indústria da moda, o SDF conversou com a Alice Beyer Schuch e a Tania Gengo fundadoras da ES-Fashion, empresa pioneira na disseminação do conceito de Moda Circular no Brasil. Confira a entrevista abaixo.

1.Primeiramente poderiam contar um pouco sobre vocês e o trabalho da ES Fashion?

Nós, Alice e Tania, nos conhecemos na China e sabemos do lado obscuro que a moda pode seguir… E assim, juntando nossas especialidades – a Alice é mestre em moda sustentável e a Tania é formada em negócios de moda – a ES-fashion surgiu do desejo de usar a moda como uma ferramenta propulsora para o desenvolvimento, não apenas econômico, mas também social e ambiental, disseminando novas perspectivas em que a moda atua, sim, de forma responsável. Para isso, trazemos diversos conceitos vistos na Europa (onde a Alice mora) de forma a ajustar à realidade brasileira (onde a Tania mora). Entre os serviços da ES, estão a consultoria a empresas rumo a circularidade, a elaboração de pesquisas, treinamentos e cursos, e ainda a internacionalização, apresentando as marcas brasileiras sustentáveis ao mercado europeu.

2. O que é economia circular e como ela é aplicada na moda?

A Economia Circular é um sistema restaurativo e regenerativo por design. Isso quer dizer que quando desenvolvemos produtos, lá em sua fase embrionária, já pensamos em desenvolvê-los de forma a não prejudicar (ou até beneficiar) ao final de seu ciclo inicial o nosso capital social e natural – pessoas, água, energia, recursos. Além disso, se sugerem novos modelos de negócios para manter estes itens em uso por mais tempo para que o valor investido em sua produção não se perca após essa primeira fase. 

 Na moda, isso se aplica diretamente na melhor seleção de têxteis, escolhendo alternativas de menor impacto por exemplo, como as fibras orgânicas ou ainda recicladas. Podemos também incluir estratégias de design que favoreçam o uso contínuo ou por mais tempo de peças, suas partes e materiais utilizados. Ou ainda, aplicamos um modelo de negócio que promova trocas, compartilhamento e similares. A ideia é buscar alternativas que reduzam essa pressão sobre pessoas e total dependência em nossos recursos virgens.

3. Porque é importante pensarmos nesse modelo? E quais são os principais desafios?

A moda convencional é uma indústria que exige muito e impacta irresponsavelmente pessoas e a natureza. Em um modelo circular, onde uma visão holística é fundamental, percebemos nossas interferências e buscamos abordá-las de forma a eliminar estes impactos negativos.

Entre os desafios de se aplicar um conceito tão amplo, a mudança de mindset talvez seja o mais desafiador. Por parte empresarial, é necessário pensar de forma inovadora e disruptiva. Nosso modelo pós revolução industrial não irá trazer as respostas e soluções à essas novas questões. Além disso, é relevante se trabalhar em parcerias, dividindo informações, buscando apoio mesmo entre os assim-chamados “concorrentes” para que se saliente o poder de mudança de um grupo. Por parte do consumidor, como figura importantíssima para fechar os ciclos, por exemplo, a mudança de mentalidade e hábitos também se faz necessária. Deixaremos de ser consumidores e nos tornaremos usuários de moda… E isso envolve repensar e reavaliar nossos velhos padrões de consumo, de necessidade de ter, de compra por impulso, de ver o passeio no shopping como o momento de relax da semana…

4. Qual o papel que o design, a tecnologia, as empresas e os consumidores desempenham na realização dessa prática na moda?

O design, como o próprio conceito de EC diz, é o ponto inicial deste processo. Se produzimos algo sem um pensamento cíclico, teremos, muito provavelmente, dificuldades em reaproveitar este item dentro deste novo sistema, e o mesmo acabará sendo descartado em algum momento. A tecnologia é o que permite a aplicação de novas alternativas, seja no desenvolvimento de novos materiais ou fibras como na realização de mundos digitais que conectam mais facilmente os consumidores ou oferecem produtos de forma virtual. As empresas são o meio pelo qual inovação chegará ao usuário, mas nessa nova perspectiva, todos nós podemos nos tornar agentes de mudança e empreendedores. Grandes exemplos de moda circular estão sendo sugeridos por start-ups que já nasceram com a sustentabilidade em seu DNA. Por fim, os consumidores – que preferimos chamar usuários de moda – tem o poder de decisão quando de sua escolha por um ou outro produto, um ou outro sistema. Mesmo assim, muitos ainda não estão conscientes de seu papel, e nunca estarão. Para esses, o sistema deverá ser desenvolvido em paralelo e eles acabarão por fazer parte de forma automática, inconsciente, “indolor” (sem concessões ou sacrifícios).

5. Como as marcas e empresas do setor da moda estão adotando a economia circular em seus negócios? Poderiam nos dar alguns exemplos concretos dessa prática?

Existem muitas frentes que podem ser abordadas. Temos visto muitos materiais e processos alternativos surgindo, como couros de cogumelo ou chá, fibras de alga ou de descarte de outros setores como as cascas da laranja, ou ainda tingimento com bactérias, sem água e sem químicos tóxicos, curtimento com folha de oliveira. Existem também empresas apostando no reuso de descarte têxtil pré ou pós consumidor para a produção de novos itens de moda ou investindo em novos negócios de compartilhamento, de reuso e manutenção de roupas que já estão circulando por aí. Em todos estes aspectos, é relevante para as empresas a provisão de informação clara e objetiva sobre o que tem sido feito, como e por quem, mostrando o caminho trilhado e ainda os próximos passos a serem adotados.

6. Como vocês analisam o cenário na Europa sobre esse tema e no Brasil? E o que podemos aprender com os países que já estão mais atuantes nesse setor?

A Europa já vem oferecendo moda com baixíssimo impacto há mais de 40 anos e tem usuários muito mais predispostos a participarem dessas mudanças. Além disso, o apoio a pesquisa e desenvolvimento científico, por exemplo, ou a novos programas de impacto positivo já são o status-quo.

Quando comparamos com o Brasil, ainda estamos atrelados culturalmente à necessidade de ter mais pelo menor preço (mesmo que a qualidade não compense) e preferencialmente a mudar sempre – o carro do ano, o telefone de lançamento, a roupa da vitrine. A grande diferença é que não existem estruturas no Brasil que recolham esse material de forma a possibilitar o seu reaproveitamento. E tudo acaba indo para o lixão – com exceção de nosso belo exemplo de reciclagem de latas de alumínio! O que o Brasil deve fazer, é estar atento à estas mudanças e aplicar de forma adaptada a sua realidade sem esperar pelo apoio de iniciativas públicas, trabalhando de forma conjunta com diferentes stakeholders. A união faz a força, não é mesmo?

7. Para vocês qual o futuro da moda?

A moda no futuro se tornará algo misto, onde a tecnologia e desenvolvimento existirão a favor da natureza e das pessoas e gerará novos setores, novos tipos de trabalho e consequentemente novas formas de movimentação financeira. A democratização de uma moda sustentável, sem tóxicos, impactos negativos, de alta circulação e benéfica socialmente será o padrão oferecido. Grandes alterações poderão também ser vistas no sistema educacional, onde as mudanças deverão ser aplicadas de forma dinâmica e efetiva, instigando a criatividade investigativa mais que o seguimento de padrões e tendências, a cor da estação!

8. Para quem quiser saber mais sobre economia circular poderiam dar sugestões de livros e/ou sites?

Fundação Ellen MacArthur tem feito um trabalho exemplar em muitos setores. Suas inúmeras publicações nos dão uma base claríssima das possibilidades deste novo sistema, inclusive com estudos sendo iniciados na área de moda. No Brasil, temos a Exchange 4 Change fazendo um trabalho voltado exclusivamente para nosso país, que acaba de lançar o primeiro livro em português sobre o tema. Leitura fundamental também são os livros Cradle to Cradle, The Upcycle e ainda Waste to Wealth que, apesar de não serem específicos para a moda, nos abrem o olhar para uma visão holística e sistêmica de nossas ações. O site da ES ainda tem uma biblioteca onde atualiza regularmente publicações do Brasil ou traduzidas sobre o assunto.

Para saber mais sobre ES-Fashion e acompanhar seus projetos acesse o site: http://es-fashion.net/  e acompanhe seu Blog e Instagram.