DROPS SDF #1

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Quer saber as principais notícias e dicas sobre moda e comportamento desse mês?

Confira o que separamos no Drops SDF 🙂

Programa Sebrae Moda Sustentável 

O Sebrae Rio de Janeiro selecionará 40 microempreendedores individuais, micro e pequenas empresas do setor da moda – dos segmentos de vestuário, acessórios em couro, calçados, bijuterias e jóias para participarem do programa Sebrae Moda Sustentável.

O objetivo do programa é fomentar e incentivar a adoção de boas práticas sustentáveis no setor, estimulando a competitividade e a inovação dos pequenos negócios de moda no mercado.

Duração: 15 meses (de julho de 2017 a setembro de 2018). Inscrições até: 26 de junho no site do Sebrae. Mais informações aqui.

Google lança plataforma sobre moda e cultura, o We Wear Culture

Desenvolvido pelo Google Arts & Culture a plataforma permite explorar moda, arte, comportamento e cultura através de um acervo gigantesco que contém filmes raros e milhares de imagens que contam três mil anos de história. O projeto é fruto de colaboração com mais de 180 instituições culturais em 42 países, inclusive o Brasil.

Prepare-se para ficar horas explorando esse acervo virtual onde é possível navegar pelas histórias das celebridades e estilistas mais influentes, conhecer os movimentos que surgiram  na Corte de Versalhes até às ruas de Tóquio, descobrir a origem e história das peças que usamos e o impacto na moda, da economia e a criação de empregos até o empoderamento de comunidades.

São mais de 400 exposições e histórias online que compartilham um total de 30.000 fotos, vídeos e outros documentos, Quatro experiências de realidade virtual com peças icônicas da moda e mais de 40 locais com acesso aos bastidores no Google Street View

A plataforma Google Arts & Culture é gratuita e está disponível na web, e no aplicativo para iOS e Android.

H&M, Zara e Mark & Spencer são algumas marcas ligadas à fábricas de viscose altamente poluidoras na Ásia, segundo relatório da Fundação Changing Markets

Apesar da viscose ser considerada uma alternativa sustentável ao algodão e ao poliéster, pois é feita de celulose ou polpa de madeira, a maioria das viscoses modernas são produzidas com um alto índice de químicos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.

Uma investigação realizada pela Fundação Changing Markets visitou 10 fábricas na China, Índia e Indonésia, e encontrou danos ambientais graves, incluindo a poluição da água por resíduos contaminados não tratados e poluição do ar. A produção de viscose nessas regiões está contaminando a água fornecida a toda a população e aumentando a possibilidade de risco de câncer.

As marcas alegadas pelo relatório a partir dessas fábricas incluem H & M, Inditex (o proprietário de Zara), Marks & Spencer e Tesco. Segundo o jornal The Guardian, a maioria das marcas contactadas pelo jornal reconheceu que os impactos da produção de viscose são um problema de toda a indústria e dizem que estão explorando maneiras de produzir de forma mais responsável.

Além da contaminação da água, o relatório aponta que a produção de viscose também utiliza químicos pesados – dissulfureto de carbono – que está prejudicando tanto os trabalhadores das fábricas quanto as pessoas que vivem perto delas. Essa toxina tem sido associada a doença cardíaca coronária, defeitos congênitos, doenças da pele e câncer. Outros produtos químicos tóxicos utilizados na produção de viscose incluem hidróxido de sódio (soda cáustica) e ácido sulfúrico.

Confira a reportagem aqui e aqui.

Italiano cria couro feito a partir dos resíduos da produção de vinho

Designer italiano, Gianpiero Tessitore, criou o Wine Leather® (Couro de Vinho), um tecido tão maleável e durável como o couro feito com peles de animais. Após dois anos de estudo e testes o designer conseguiu criar o tecido prensando as fibras vegetais das casas e sementes de uva.

O Wine Leather® é o primeiro produto da empresa VEGEA Company, fundada por Gianpiero em janeiro de 2016 e pode ser usado para fabricação de bolsas, calçados, revestimentos de móveis e para tudo mais que o couro convencional é usado atualmente.

Confira a matéria completa aqui.

Para inspirar | Veja o Documentário The Next Back – A film about the Future of Clothing

Um filme sobre o futuro da moda que explora diversos temas como tecnologia e sustentabilidade. Conversas com a marca Patagônia e Adidas, estúdio XO e BioCouture, consultoria que estuda organismos vivos para cultivar roupas e acessórios.

Confira aqui (em inglês).

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Conheça o aplicativo Moda Livre e descubra de onde vem a roupa que você compra

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Sabemos que ser um consumidor consciente dá trabalho, afinal, não é tarefa fácil avaliar cada  marca e sua cadeia de produção já que encontrar informações a respeito é um dos principais empecilhos. A maioria das marcas, quando questionadas, acabam seguindo um discurso pronto e não explicam genuinamente como e em que condições são feitas suas peças de roupas. Porém, uma boa notícia é que aos poucos vemos surgir ferramentas que tem como objetivo facilitar essa busca e, com isso, fazermos melhores escolhas.

É o caso do aplicativo Moda Livre, desenvolvido pela ONG Repórter Brasil, referência nacional na defesa dos direitos humanos. O app avalia as principais varejistas de roupa do Brasil e empresas que já foram flagradas pelos fiscais do Ministério do Trabalho (MTE) em casos de trabalho escravo.

Todas as companhias listadas foram convidadas a responder um questionário baseado em quatro indicadores – políticas, monitoramento, transparência e histórico – e, com base nas respostas, receberam uma pontuação que as classifica em três categorias: verde, amarelo e vermelho.

“O aplicativo não recomenda que o consumidor compre ou deixe de comprar roupas de determinada marca. Apenas fornece informações para que faça a escolha de forma consciente”,  Repórter Brasil. A ferramenta está no ar desde 2013 e hoje conta com mais de 70 marcas. Você pode baixar o app – Apple Store e Google Play. Vale a pena!

Enquanto isso…

Um documentário investigativo foi ao ar no dia 24 deste mês na BBC UK onde expõe como fábricas na Turquia estão empregando ilegalmente imigrantes sírios para produzir roupas para marcas como Zara, Asos e Marks and Spencer. Veja o trailer aqui.

Infelizmente, essa realidade ainda está muito presente no dia a dia da indústria da moda. Por isso, ferramentas como o app Moda Livre são importantes, pois nos permite abrir os olhos e a entender que ao comprar uma peça de roupa vale levar em conta muito mais do que simplesmente o preço. A sua nova blusa de R$10 pode estar custando caro para quem a produz. Pense nisso.


Referências

http://juliapetit.com.br/moda/zara-asos-mango-e-marks-and-spencer-sao-envolvidas-em-escandalo-com-fabricas-turcas-empregando-imigrantes-sirios-ilegalmente

Descarte têxtil e o futuro da moda

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Foto: Getty Images

Hoje tratamos roupas como bens descartáveis, estimulados pelas tendências passageiras e por peças baratas, nos livramos delas na mesma velocidade que novas coleções chegam às lojas. Já sabemos que essa cultura do use e descarte gera quantidades imensas de resíduos e impactos negativos ao planeta.

O desperdício têxtil é um dos principais problemas da indústria da moda. Somente em 2015, o consumo mundial de tecidos alcançou, aproximadamente, 73 milhões de toneladas, sendo que, apenas, cerca de 20% foram recicladas.

A produção no Brasil no mesmo ano foi de 5,5 bilhões de peças e, estima-se que são gerados 175 mil toneladas de resíduos têxteis por ano no país. Desse total, apenas 36 mil toneladas são reaproveitadas na produção de barbantes, mantas, novas peças de roupas e fios.

Diante desse cenário, a recuperação e reciclagem são alternativas que proporcionam benefícios ambientais importantes já que não são necessários o uso de novos recursos. Além disso, elimina-se a necessidade de espaços em aterros, outro grande problema, pois as fibras artificiais não são biodegradáveis, os resíduos têxteis podem eliminar químicos que contaminam o solo e peças feitas de lã ao se decompor produzem metano que contribui para o aquecimento global. Resumindo, a reciclagem e recuperação de fios e tecidos permitem que recursos sejam economizados e a poluição seja reduzida.

Outra opção para essa questão é o processo chamado upcycling, que transforma resíduos ou produtos descartados em novos materiais ou produtos de maior valor, uso ou qualidade. Cada vez mais vemos surgir marcas e iniciativas que utilizam esses resíduos como matéria-prima transformando-os em lindas peças, como é caso da Comas, ThinkBlue, Mig Jeans, Trappo, Odysse, Misnella, Coletivo de Dois e entre outras. [confira todas as marcas no site SDF].

Iniciativas como o Banco de Tecidos – onde sobras de tecidos e materiais descartados pela indústria e por designers ganham a chance de serem usados em novas criações – e o projeto Retalhar – que utiliza o reaproveitamento de resíduos têxteis como ferramenta para o empoderamento de empreendimentos da economia solidária – são soluções encontradas para minimizar o problema atual.

Se por um lado muitas marcas e projetos estão buscando alternativas para mudar essa situação, seja incorporando tecidos e materiais reciclados em suas coleções e/ou transformando materiais descartados em novos produtos, nós como consumidores também devemos adotar ações para reduzir esse desperdício. Seja incentivando o trabalho dessas marcas, contribuindo com a reciclagem, re-styling e reparos de roupas já existentes. A troca de peças com amigos e familiares, compra em brechós e optar pela qualidade e não quantidade são mudanças no comportamento que causam um impacto significativo no guarda-roupa, no bolso e na natureza.

O que podemos esperar é que o futuro será de lixo zero, economia circular e reutilização total de materiais, para que os recursos naturais, já tão escassos, sejam poupados. Por isso, pense muito bem antes de descartar uma peça do seu guarda-roupa, pois o “lixo” será o novo luxo na indústria de moda.

Saiba mais sobre economia circular aqui.


Referências:

http://source.ethicalfashionforum.com/article/introduction-to-fashions-key-environmental-issues

http://source.ethicalfashionforum.com/article/waste-recycling

http://www.ecouterre.com/sweden-wants-to-reduce-waste-by-giving-tax-breaks-for-repairs/

http://www.triplepundit.com/special/sustainable-fashion-2014/upcycling-new-wave-sustainable-fashion/

Porque consumimos? Hilaine Yaccoub fala sobre o consumo e a moda

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Repensar nossos hábitos e comportamentos de consumo é um dos assuntos mais comentados atualmente. Mas o que é o ato de consumir na sua essência? Porque consumimos? Essas e outras dúvidas foram respondidas pela antropóloga Hilaine Yaccoub em entrevista ao Slow Down Fashion.

ENSAIO DE HILAINE YACCOUB - NITERÓI - 24/07/2015 - FOTO: ILAN PELLENBERG

Hilaine Yaccoub é doutora (PhD) em Antropologia do Consumo (UFF-RJ) e atua como consultora independente, pesquisadora, escritora, palestrante, e, atualmente também realiza coaching e mentoria individuais ou em grupo e em empresas que desejam aumentar repertório analítico e conhecimento sobre temas relacionados ao consumo contemporâneo e comportamentos socioculturais. Também é professora do Instituto Europeu de Design (IED), da Fundação Getúlio Vargas (MBA em Negócios de Luxo) e professora visitante do Mestrado em Marketing da Universidade Javeriana em Cali, na Colômbia. É também co-criadora do MBA em Estratégias e Ciências do Consumo da ESPM, no Rio. Veja  sua biografia completa aqui.

Confira abaixo esse bate-papo super interessante sobre comportamento de consumo e moda.

Sabemos que o ato de consumir é muito mais do que adquirir itens destinados à sobrevivência.  Diante disso, como podemos explicar o consumo na sociedade atual?

O consumo é um tema complexo por si mesmo. É uma forma de mantermos vivos mas também de nos diferenciar, de construir significados sobre quem somos, de onde viemos, nossa tradição e pra onde queremos ir. É um norteador de um processo social que vai se construindo antes mesmo de nascermos. Somos o que somos porque comemos certos alimentos, nos vestimos de determinada maneira, assistimos uma gama de canais ou seriados, gostamos de certo estilo de música…todo nosso mundo concreto está voltado para escolhas que são expressas através do gosto que é regido por uma hierarquia cultural de desejos.

E qual o perfil do consumidor contemporâneo no brasil?

Multifacetado, plural, diverso. Em cada grupo sociocultural ou etário temos a diversidade como mote norteador. Não há um perfil e sim perfis e cada grupo constrói uma gramática própria de como viver bem, o que é prestigioso, o que é bom e de qualidade etc… Satisfações são diversificadas e cada grupo procura seu próprio caminho e estilo de vida que melhor irá compor sua lógica de pensamento e vida.

“Busca-se o tempo todo coisas novas que, ao final não dão satisfação. Cada vez temos mais coisas, mas não significa que estamos mais felizes”, você concorda com essa frase do filósofo francês Gilles Lipovetsky? Porque ainda buscamos essa “fórmula da felicidade” que já se demonstrou falida?

Falida até a segunda página. Se fosse falida não teríamos o consumismo, o exagero ao consumo, como uma das principais expressões da sociedade contemporânea. O gosto pela novidade pode ser explicado, pelo fato do consumidor acreditar que os produtos desconhecidos são potencialmente mais prazerosos, pois os desejos e as imagens a eles atribuídos nunca foram colocados à prova da realidade. No entanto, consumir é um aprendizado. Quando passamos por escassez e ganhamos dinheiro nos vemos “freak descontrol” para comprar tudo que sempre sonhamos, de repente. Passado um tempo vemos que quanto mais coisas, mais tempo devemos ter para cuidar delas, e aí se é colocado a prova. Ou teremos que ser mais minimalistas e apostar em durabilidade ou vamos comprar tudo e depois ter lugar pra guardar, tempo para limpar, dinheiro para contratar funcionários que nos ajudem no dia a dia a lidar com o esse estilo de vida. A abundância nem sempre está na quantidade.

Como você avalia o comportamento de consumo de moda? Quais as principais motivações de compra?

Depende do grupo que estamos lidando, mas no geral é por distinção e inclusão social. A antropóloga Mary Douglas disse no seu livro (em parceria com o economista Baron Isherwood) que os bens são neutros, os significados que atribuímos a eles é que os elevam a cercas ou pontos. O que isso quer dizer? Se eu for antenada com a moda e consumir algo extremamente novo eu estou sendo incluída em um grupo percebido como fashionista, ou antenado, ou moderno etc… e assim mesmo eu me diferencio dos demais criando cercas. Mas em relação ao mundo da moda o produto que consumi é uma ponte, pois me liga a esse mundo pautado na diferenciação, ao novo, a arte etc. Construímos identidades através do consumo, a moda é uma dimensão dessa construção, inclusive para aqueles que não se percebem consumindo moda. Acredito que a cena do Diabo veste Prada foi emblemática para ilustrar este contexto quando a Miranda responde a Andie o porque dela estar usando determinado azul.

Na contramão do consumo desenfreado, estamos percebendo movimentos que questionam esse modelo e buscam alternativas, como por exemplo, consumo compartilhado, aluguel e troca de produtos. Como você avalia este tipo de iniciativa? Você acredita que realmente estamos mudando nosso pensamento e comportamento de consumo ou isso ainda vai demorar muito para acontecer?

Acredito que este comportamento seja muito comum em lugares como favelas, cidades pequenas e vilas, pequenos grupos que criam redes de confiança para potencializar seu consumo, trocar, compartilhar etc… mas precisamos aprender com eles muitas coisas pois somos muito apegados às coisas que possuímos. Muitas vezes, damos mais valores as coisas do que as pessoas. Possuímos uma gama de objetos que não emprestamos, não doamos, sequer pensamos em compartilhar. O carro é uma delas. Não esqueço uma vez em SP quando um rapaz dono de um carro de alto luxo bateu em um outro num cruzamento causando a morte do motorista (era uma moça), ele se sentou na guia da calçada e ligou para um amigo chorando a perda do seu carro. Perto dele havia um corpo e ele nem se tocou. Ele é uma má pessoa? Possivelmente não. Mas somos levados a crer que o carro importado classe A é expressão de sucesso, é a prova cabal que chegamos ao sucesso e realização pessoal.  Acredito que precisamos passar por muitas etapas até chegar a uma popularização destas iniciativas bem-intencionadas, ainda há filas nas portas de lojas fast-fashion que exploram mão de obra sobretudo a infantil nos países mais pobres em busca de melhores preços, certo?!

Você acredita que o papel do consumidor é importante para contribuir para essas mudanças? Consumo também pode ser um ato político?

O consumo é um ato político sem sombra de dúvida. Podemos boicotar, podemos não querer dado produto em nossas vidas porque não compartilhamos o mesmos regimes de valor. Cada vez mais se procura este engajamento, mas é preciso maior ênfase na educação para o consumo, algo que normalmente não se faz. Aprendemos muito a poupar, isso é falado a todo tempo nos programas de TV, mas dificilmente nos ensinam a comprar melhor, a consumir melhor. Este é um desafio para o século XXI.

Em linhas gerais, quais as principais tendências de mudanças na forma de consumir no futuro próximo?  

A fazer por conta própria o que poderia ser comprado pronto, estamos numa era de resgate da artesania que cada vez cresce mais. Precisamos também potencializar nosso tempo e resgatar valores como sociabilidade, e a internet será um fato decisivo. Estamos buscando alma e essência nas formas de consumo, esta é a principal tendência seja ela em que setor for.

Conheça mais sobre o trabalho da Hilaine Yaccoub no site www.hilaineyaccoub.com.br e instagram:@hilaine

 

 

 

Patagonia: histórias por trás das roupas

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Foto Instagram @patagonia

“Fabricar o melhor produto, não causar dano desnecessário, e usar o negócio para inspirar e implementar soluções à crise ambiental“, essa é a missão da marca californiana Patagonia que com mais de 30 anos no mercado produzindo roupas esportivas para práticas de esporte ao ar livre, segue fiel aos seus valores e é referência em práticas sustentáveis.

Yvon Chouinard, alpinista, amante da natureza e fundador da marca percebeu que seu modelo de negócio, desde a iluminação em suas lojas até o tingimentos das camisetas, geraria poluição e impactos, por isso, se comprometeu a reduzi-los com ações efetivas em toda a cadeia de produção e pós-consumo da marca.

Já nos primeiros anos de vida a Patagonia adotou o uso de materiais naturais e recicláveis para o desenvolvimento de todas as peças. Desde 1985, doa 1% de sua receita ou 10% do seu lucro (o que for maior) para grupos de proteção do meio ambiente.

A empresa é transparente em relação as suas informações e práticas, disponibilizando em seu site o código de conduta e condições de trabalho e, também publica anualmente as listas das fábricas e resultados das auditorias. Além disso, em 2007, criou o programa The Footprint Chronicles® que disponibiliza informações de cada produto, além de contar a história de todos os envolvidos na cadeia produtiva. O programa tem como objetivo ajudar a reduzir os impactos sociais e ambientais gerados.

Mas, um dos pontos mais importantes da marca é a preocupação em desenvolver produtos de alta durabilidade e qualidade para que seus clientes não precisem comprar roupas por um bom tempo [você deve lembrar da campanha “Don´t buy this jacket” publicada na época do black friday americano, certo?].

“Não podemos ser uma sociedade baseada no consumo e descarte sem limite. O que estamos tentando fazer é produzir roupas que possam ser repassadas e que possam durar para sempre”, Yvon Chouinard.

A Patagonia acredita nos 5 R´s – Reduzir o que se compra, Reparar o que pode, Reutilizar o que se tem e Re-Imaginar um mundo sustentável. Para o Yvon a coisa mais responsável que podemos fazer ao comprar roupas é, número um, comprar roupas usadas, pois o dano já foi feito ao produzi-las. Por isso, a Patagonia incentiva e facilita o processo de troca e/ou venda das peças usadas de seus clientes, e, também, recicla as roupas já desgastadas transformando-as em uma nova fibra ou tecido.

A marca também criou o programa Worn Wear que celebra as histórias por trás de uma peça de roupa, ajudando-as a seguirem seu ciclo de vida através de oficinas de reparos que disponibilizam para seus clientes.

Todo mundo tem alguma peça no armário que conta uma história, uma aventura, um momento importante na vida. Cada uma nos traz uma lembrança e, é exatamente o que a Patagonia quer celebrar. “Celebrate the stuff you already own”. Aquela peça que te acompanha há muito tempo ou aquela jaqueta que passou por todos os seus irmãos antes de você usar. Conheça algumas histórias aqui.

Uma das frases favoritas de Yvon Chouinard é a do Henry David Thoreau em que diz: “Cuidado com qualquer empreendimento que exige roupas novas”. Afinal, roupas tem significado, carregam histórias e devemos dar mais valor à elas 🙂

 


Referências

http://www.patagonia.com/us/patagonia.go?assetid=2329

http://www.patagonia.com/us/worn-wear/

http://www.expoknews.com/caso-de-exito-de-rse-patagonia/

https://www.visualnews.com/2015/08/03/brandcrush-3-reasons-to-love-and-learn-from-patagonia/

http://mundodasmarcas.blogspot.com.br/2014/08/patagonia.html

A escravidão escondida entre as máquinas de costura

 

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Crédito foto: Renato Bignami | Repórter Brasil

Notícias sobre o cenário de violações de direitos em que muitos trabalhadores da indústria têxtil estão submetidos não são novidade. Mas, engana-se quem pensa que trabalho análogo ao escravo, trabalho infantil, péssimas condições e jornadas exaustivas são problemas distantes do Brasil, infelizmente essa situação está bem próxima de nós.

Quer um exemplo? Essa semana auditores do Programa de Erradicação do Trabalho Escravo, do Ministério do Trabalho e Emprego responsabilizaram a empresa Brooksfield Donna por trabalho escravo e infantil. Foram encontrados em uma pequena oficina no bairro de Aricanduva, em São Paulo, cinco trabalhadores bolivianos, incluindo uma menina de 14 anos, que viviam e trabalhavam em condições precárias. O grupo não tinha carteira assinada ou férias e os salários dependiam da quantidade de peças produzidas (R$6,00 em média por roupa costurada). Leia a matéria completa aqui.

Este é mais um caso triste e vergonhoso que vem mascarado em roupas de luxo que podem ultrapassar R$ 500,00. Infelizmente há muitos outros envolvendo marcas nacionais. A ONG Repórter Brasil acompanha as fiscalizações nas confecções desde 2009 (aqui estão algumas marcas que já foram flagradas nessa situação).

Mas o que caracteriza um trabalho escravo nos dias de hoje?

De acordo com o artigo 149 do Código Penal brasileiro, esse tipo de relação se dá quando: existem condições degradantes de trabalho, jornada exaustiva, trabalho forçado e servidão por dívida. Em resumo, todo o regime de trabalho humilhante que prive o trabalhador de sua liberdade, além de ferir sua dignidade.

Estima-se que atualmente mais de 40 milhões de homens, mulheres, crianças e adolescentes no mundo vivam nessa situação, atuando em diversos setores para fabricação de produtos que consumimos diariamente.

No Brasil a existência do trabalho escravo contemporâneo foi reconhecido pelo governo em 1995, sendo uma das primeiras nações do mundo a admitir o problema em seu território. Até 2013, os maiores indices eram encontrados em atividades econômicas rurais, porém a partir deste ano as violações  se deram principalmente na zona urbana, em setores como a construção civil e têxtil.

O número de crianças e adolescentes que trabalham em confecção e comércio de tecidos, artigos de vestuário e acessórios também é alarmante, estima-se que mais de 114 mil encontram-se nessa situação apenas no país.

Buscando, justamente, sensibilizar e conscientizar os consumidores, entre os dias 16 a 22 de junho a Fashion Revolution Brasil organizou em São Paulo a sua segunda edição do Fashion Experience. A instalação, realizada juntamente com o Ministério Público do Trabalho, a organização internacional 27 Million e o movimento global Stop The Traffik, simulava uma loja itinerante com ofertas de roupas a R$9,90. Ao entrar o visitante se deparava com uma oficina de costura em condições precárias. O objetivo da ação era impactar, mas também mostrar alternativas e possibilidades de mudança, além da importância do consumo consciente. Saiba mais sobre a ação aqui.

Ações como da Fashion Revolution Brasil são fundamentais para despertar a consciência e  percepção do nosso protagonismo como consumidores. Temos um poder gigante nas mãos e precisamos colocar isso em pratica! Devemos sempre  questionar as marcas e exigir mais transparência! É nossa responsabilidade também  saber qual a procedência dos produtos que compramos!!

Façamos disso um lema: #quemfezminhasroupas?

Saiba mais sobre o assunto:

Trabalho Escravo Contemporâneo – 20 anos de combate no Brasil – Repórter Brasil 

Global Slavery Index – Region Analysis – The Americas 

Fashion Revolution

Conheça Ongs que trabalham para erradicação do trabalho escravo e tráfico de pessoas:

27 Million

Stop The Traffik 

Conhece algum caso de trabalho escravo? Denuncie aqui.


Referências

https://www.walkfree.org/modern-slavery-facts/

http://www.ilo.org/brasilia/temas/trabalho-escravo/WCMS_393066/lang–pt/index.htm

http://www.ilo.org/brasilia/noticias/WCMS_476140/lang–pt/index.htm

http://www.bbc.com/portuguese/brasil-36574637

http://reporterbrasil.org.br/trabalho-escravo/

http://www.inpacto.org.br/2015/06/oit-alerta-168-milhoes-de-criancas-realizam-trabalho-infantil-no-mundo/

http://escravonempensar.org.br/livro/capitulo-1/

http://fashionrevolution.org/

E agora Fast Fashion?

e agora fast fashion

Em seu discurso no Copenhagen Fashion Summit 2016 Livia Firth, fundadora do Eco-Age, afirma que nada mudará se o modelo de negócio da indústria do fast fashion continuar como está. Isso é, produzindo enormes quantidades de roupas em um prazo incrivelmente curto e a um custo extremamente baixo, continuando a nos encorajar a participar desse ciclo de consumo desenfreado que é totalmente insustentável.

“It is time for us to be active citizens, to be active consumers, we can’t demand for change unless we stop this cycle of thoughtless consumption that the fast fashion brands are dictated to us”, diz Firth.

E não podemos discordar. A indústria do fast fashion nos viciou. Entramos nesse ciclo de compras sem fim acreditando que mais uma peça de roupa é igual a felicidade/satisfação/status/poder/sedução/_______. Essa moda rápida e descartável não é o que moda significa. Moda é expressão, arte, é modo de ser/agir.

O fast fashion, “moda rápida”, surgiu no final do século XX, a partir de uma nova estratégia de produção no cenário da moda, levando as tendências das passarelas para os consumidores de forma rápida e a preços acessíveis. O sistema para funcionar bem requer inúmeras coleções, com grande variedade de modelos e peças novas o tempo todo,  retirando das araras o que não vende e repondo o que vende. O lema é: mais é sempre mais. Mais roupas, mais consumo, mais vendas, mais lucro.

Com novidades a todo momento, as marcas fast fashion são desenhadas para nos fazer sentir que estamos sempre “fora da moda”. Esqueça primavera/verão – outono/inverno, pois,  atualmente somos bombardeados com mais de 50 “micro estações” a cada ano. O objetivo é nos incentivar a comprar mais peças possíveis e rapidamente. Mas, se por acaso não compramos o suficiente, as marcas não se preocupam, pois as peças dificilmente duram mais que duas lavagens. São feitas com essa intenção já que o sistema depende do desejo dos consumidores de comprar roupas novas para usar. A lógica do use e descarte.

Mas o que há de errado nesse modelo? Por um lado podemos desfilar a todo momento peças novas a preços baratíssimos, mas por outro, se analisarmos toda a cadeia de produção, alguém está pagando caro por isso. Recursos naturais estão sendo usados irresponsavelmente,  como se fossem infinitos, além do uso de pesticidas e outras substâncias tóxicas, das péssimas condições de trabalho, muitas análogas à escravidão e aumento da produção do lixo têxtil. Não é difícil perceber que esse modelo é realmente insustentável, correto?

A boa notícia é que nós, consumidores, estamos cada vez mais informados e conscientes a respeito desse lado menos glamoroso do fast fashion e da indústria da moda. Nos últimos anos, notícias sobre os impactos causados por essa indústria ganharam mais destaque e estamos mais exigentes, obrigando as marcas a serem transparentes e a tomarem atitudes a respeito. Não estamos falando de criar coleções “sustentáveis” ou “eco” que algumas lançaram e que não passam de um “marketing verde”, mas, sim, de adotar ações efetivas no quesito ambiental, social e cultural em toda a cadeia de produção.

Em paralelo, vemos novas marcas e iniciativas surgindo com o propósito de oferecer uma alternativa para o consumo de moda atual. Coleções mínimas e produção mais lenta, respeitando o tempo, o meio ambiente e a mão de obra. Marcas que vão além do simples fato de vender, mas sim, que pensam em todo o ciclo, da produção até o descarte. Há também bons exemplos de projetos que incentivam a troca e a transformação de roupas. É um novo modelo surgindo e, isso é incrivelmente animador!!!

Como disse Livia Firth, precisamos quebrar esse ciclo atual e começar um novo, mais ético e mais justo para todos.

Veja seu discurso aqui (em inglês).

Não esqueça de ver as marcas e projetos que já estão fazendo a diferença, passa lá no site SDF 🙂


Referências

http://www.huffingtonpost.com/shannon-whitehead/5-truths-the-fast-fashion_b_5690575.htm