Em um mundo regido pelo excesso como saber se o que já temos é suficiente?

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Busca-se o tempo todo coisas novas que, ao final não dão satisfação. Cada vez temos mais coisas, mas não significa que estamos mais felizes” essa frase do filósofo francês Gilles Lipovetsky não poderia ser mais atual, vivemos em uma sociedade de produção e consumo em excesso e esse modelo está nos levando ao limite.

Se mantivermos estes padrões atuais de comportamento antes de 2050 vamos precisar de duas Terras para nos sustentar, por isso precisamos, urgentemente, mudar nossos hábitos.

O grande problema é que com o modelo econômico atual desconhecemos a moderação e somos levados a acreditar que conseguiremos encontrar a felicidade e aceitação dos outros por meio do que compramos e acumulamos. Se somos constantemente seduzidos a praticar o consumismo, como saber se o que já temos é suficiente? E como conseguiremos alcançar o desenvolvimento sustentável?

É necessário uma mudança de mentalidade pessoal, um despertar da consciência de cada um de nós para compreender que a forma que vivemos hoje é insustentável.

O acúmulo de bens pessoais não é sinônimo de êxito nem de qualidade de vida e muito menos nos traz a felicidade prometida. Além disso estamos em dívida com o planeta, utilizamos os recursos ambientais como se fossem infinitos sem pensarmos nas consequências. Sem contar que ainda existem muitas pessoas que não dispõem nem do básico para a sobrevivência enquanto uma mínima parcela lida com exageros diários.

Enfim, questionar essa cultura do excesso e desperdício é imprescindível atualmente.

As condições econômicas dos últimos dois séculos foram marcadas pelo imperativo do “cada vez mais”. Agora, será necessário empreender uma desmobilização econômica e reinventar uma economia com moderação. Em termos ambientais, isso significa que a suficiência (bem-estar com moderação) deve se aliar à eficiência (uso inteligente dos recursos) e à consistência (harmonia entre indústria e natureza) para que se possa transformar o sistema econômico. “Melhor”, “diferente” e “menos”, eis a trindade da sustentabilidade”, publicação da Fundação Heinrich Böll – Crítica à Economia Verde Impulsos para um Futuro Socioambiental Justo.

Para reinventar uma nova economia é fundamental aprendermos a abrir mão, fazer melhor e diferente. Cada decisão que fazemos gera um impacto e consequências para o meio ambiente e a sociedade.

Segundo a Fundação Heinrich Böll, “precisaremos da eficiência e da proteção dos recursos, assim como de uma política do “menos”, se quisermos que os recursos e a atmosfera sejam suficientes para todas as pessoas terem uma vida digna e sem miséria na Terra. Eficiência, consistência, suficiência e direitos humanos são elementos de uma economia verde, de um bem-estar com moderação”.

Mudança de paradigmas culturais é um processo longo, lento e gradual, mas viver de modo sustentável no futuro será algo tão natural como o consumismo é hoje. A mudança já começou enquanto você lia esse artigo. Agora vamos praticar!

Mais sobre Economia da Suficiência e Sociedade do Bem Estar 

Publicação da Fundação Heinrich Böll – Crítica à Economia Verde Impulsos para um Futuro Socioambiental Justo

Philosophy of Sufficiency Economy


Referências

https://br.boell.org/sites/default/files/ecologia_criticaeconomiaverde.pdf

 http://www.chaipat.or.th/chaipat_english/index.php?option=com_content&view=article&id=4103&Itemid=293

 http://pontoeletronico.me/2015/economia-sustentavel/

 http://www.radarrio20.org.br/index.php?r=conteudo/view&id=12&idmenu=20

 

Sobre sustentabilidade e gratidão

Você conhece a expressão japonesa Mottainai? Tiemi Yamashita, especialista em sustentabilidade nos contou tudo sobre esse conceito.

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foto por Gaelle Marcel, site unsplash

Já falamos no Blog SDF que hoje tratamos nossas roupas e muitas coisas que compramos como bens descartáveis, gerando quantidades imensas de resíduos e impactos negativos ao planeta. Mas aqui vem mais uma bela razão do porque precisamos repensar essa cultura do use e descarte!

Mottainai, significa “o não desperdício”. Essa expressão japonesa nos ensina a “reconhecer o valor de todos os recursos ao nosso redor e, a partir disso, aproveitar tudo com respeito e gratidão, eliminando o desperdício”.

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Tiemi Yamashita

O SDF conversou com Tiemi Yamashita, referência em Mottainai no Brasil, criadora de projetos inovadores que mesclam responsabilidade socioambiental e desenvolvimento humano como Desafio do Bem e Caia na Real, além de professora convidada nos módulos de sustentabilidade dos cursos de MBA do Biinternational School e pela Faculdade Cásper Libero de São Paulo, para nos explicar esse conceito e como podemos aplicá-lo no nosso dia a dia para consumirmos com mais consciência e sem desperdício.

Primeiramente poderia contar um pouco de sua história e sua relação com o tema sustentabilidade?

Neta de japoneses, cresci dentro de uma cultura em que não se desperdiça nenhum tipo de recurso, pois tudo tem seu valor e precisa ser respeitado e valorizado.  Confesso que eu não entendia e até reclamava de ficar aproveitando a água da chuva, reaproveitando embalagens de margarina, usando roupas que já foram usadas pelos irmãos mais velhos. Mas depois de adulta fui fazer um curso de especialização em Sustentabilidade e descobri que o primeiro passo para praticarmos a sustentabilidade  é eliminar os desperdícios. Entendi que eu já praticava sustentabilidade desde pequena.

O que significa Mottainai e qual sua importância na cultura japonesa? E como ele está relacionado com a sustentabilidade?

Mottainai é uma expressão japonesa que geralmente quer dizer “desperdício” porém, o verdadeiro significado da palavra é MOTTAI –  DIGNO   e NAI – NÃO , ou seja   na verdade o significado é “não ser digno”.

Quando você escuta um japonês dizer “Mottainai”, ele não está simplesmente dizendo “que desperdício”  ele está dizendo “você não está sendo digno deste recurso!”.  Acho que isso é o cerne da sustentabilidade, se nós formos dignos de todos os recursos que possuímos, teremos atitudes mais sustentáveis.

Você acredita que o conceito Mottainai colabora com a vida das pessoas?

Sim, quando entendemos o conceito do Mottainai, passamos a ter escolhas mais conscientes.  Não só entendemos, mas principalmente sentimos os desperdícios e por isso fazemos escolhas  mais  sustentáveis.

Como você analisa o consumo na sociedade atual e como nos relacionamos com o desperdício?

O consumo na sociedade atual é insustentável. Um consumo focado no “TER” para ostentar.  É preciso lembrar que quando se compra algo ele é seu 24 horas por dia e 7 dias da semana. E quanto você de fato usa?  Pensar em sustentabilidade é pensar na usabilidade de tudo o que se consome.

Já faz alguns anos que os temas sustentabilidade e consumo consciente vem ganhando cada vez mais destaque, na sua opinião as pessoas e empresas estão realmente se preocupando com as questões socioambientais? Você acredita que está havendo uma mudança no comportamento das pessoas e das empresas?

Sim, principalmente com a crise econômica que está provocando mudanças em todos os níveis. A falta de dinheiro para comprar as roupas novas, está fazendo com que sejam aceitas novas formas de consumir ou de reaproveitar ou reciclar. As pessoas estão mudando para casas menores e estão tendo que escolher o que realmente importa, percebendo que ter demais também dá trabalho. Tem uma frase que diz assim: Quanto menos eu consumo, percebo que menos eu preciso. Quanto menos eu preciso, mais livre me sinto.

Consumir menos não é se sentir mais pobre ou inferior, é entender que precisamos de menos e consumir menos é libertador.

Como praticar o Mottainai no dia a dia e consumir de forma consciente em um mundo cheio de excessos?

Para praticar o Mottainai é preciso seguir 3 passos simples:

  1. Dar o valor –  Isto é, se perguntar: Qual o real valor deste recurso? Indo muito além do valor monetário. Por exemplo, qual o valor da água para minha vida?

  2. Reconhecer a Cadeia –  Reconhecer que para esse recurso chegar até você, ele passa por uma longa cadeia de extração, produção e comercialização. Um alimento passa por milhares de mãos, dezenas de processos até chegar a sua mesa. Com o objetivo de nos alimentar.

  3. Sentimento de Gratidão –  Depois de dar o valor e reconhecer a cadeia, sentimos gratidão por termos acesso a este recurso, pois muitas pessoas no planeta não tem acesso a recursos básicos.

E como podemos demonstrar Gratidão de forma concreta? Não desperdiçando nada.

Nesse vídeo a Tiemi Yamashita fala um pouco mais sobre consumo consciente e sustentabilidade, vale a pena conferir.

Para saber mais sobre o Mottainai e o trabalho da Tiemi acompanhe seu site e canal no youtube.

Site: www.mottainaisustentabilidade.com.br

Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCB7v-F6nkvyV-vNlXqVrMbQ

Email: tiemi@mottainaisustentabilidade.com.br