Faça parte da revolução da moda! Conheça o movimento Fashion Revolution Brasil

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campanha fashion revolution #quemfezminhasroupas #whomademyclothes

Uma das maiores tragédias industriais da história, o desabamento do edifício Rana Plaza que abrigava um complexo de fábricas têxteis em Bangladesh, marcou para sempre a indústria da moda. No dia 24 de abril de 2013, mais de mil trabalhadores morreram após o edifício ruir, tornando-se símbolo do descaso dos direitos de trabalhadores presente no setor.

Logo após essa fatalidade, o movimento global Fashion Revolution nasceu para convidar as pessoas a usarem o poder da moda para mudar a história dos trabalhadores ao redor do mundo, tornando-a uma força para o bem.

“We believe in an industry that values people, the environment, creativity and profit in equal measure. Our mission is to bring everyone together to make that happen” Fashion Revolution.

 O SDF conversou com a Eloisa Artuso, Coordenadora Educacional do Fashion Revolution Brasil, para nos contar um pouco mais sobre a história do movimento e sua atuação no país.

 Vamos fazer parte dessa revolução!

 Conte para a gente como o movimento surgiu e desde quando está aqui no Brasil?

O Fashion Revolution é um movimento global, presente em mais de 90 países, criado pela Carry Somers e Orsola de Castro, que acompanhadas de um grupo de estilistas, acadêmicos, imprensa e ativistas, decidiram dar um basta nas condições degradantes de trabalho escondidas na cadeia produtiva da moda.

O desabamento do Rana Plaza, em Bangladesh, em 24 de abril de 2013, serviu de marco para o surgimento da campanha, que tem como objetivo conscientizar os consumidores sobre os verdadeiros impactos ambientais e sociais causados pela indústria da moda no mundo e, ao mesmo, celebrar quem já trabalha na construção de um futuro mais transparente e  justo para todos. Ele chegou no Brasil através da Fernanda Simon, que, logo no primeiro ano de celebração, em 2014, trouxe a discussão para diferentes eventos de moda, design e sustentabilidade.

Quais são os principais objetivos do Fashion Revolution? E como ele atua?

O movimento surgiu com os objetivos de:

• aumentar a conscientização sobre o verdadeiro custo da moda e seus impactos em

todas as fases do processo de produção e consumo;

• mostrar ao mundo que a mudança é possível através da celebração dos envolvidos na criação de um futuro mais sustentável;

• criar conexões e trabalhar rumo à mudanças de longo prazo, exigindo transparência

na indústria e nos negócios.

O Fashion Revolution atua com bastante força nos canais de comunicação online e também propõe palestras, eventos e ações ao redor do mundo através de 2 grande frentes, a de informação/educação e sensibilização/conscientização.

Vocês acreditam que está havendo uma mudança no comportamento dos consumidores em relação ao consumo de moda? Porque acreditam que isso está acontecendo e como o movimento colabora para essa mudança?

No Brasil, ainda é bastante recente a discussão sobre sustentabilidade e consumo consciente na moda, mas já é possível sentir uma diferença de comportamento consumidor. Ainda são poucos os que realmente se interessam pela origem dos produtos e questionam de fato o que consomem, mas já dá pra notar que esse mercado (independente) está crescendo com rapidez, tanto por vontade das marcas, quanto dos consumidores.

O Fashion Revolution colabora ao incentivar as pessoas a questionarem as marcas sobre a origem de suas roupas (calçados, bolsas, joias e acessórios também valem) e exigirem maior transparência com relação aos seus modelos de negócio. Esse é o primeiro passo para uma abertura de diálogo entre produtor-marca-consumidor, uma maneira de reconectar os elos perdidos em uma cadeia tão complexa como a da moda. Essa pergunta também ajuda a abrir os olhos do consumidor, que passa a ficar mais informado e consciente sobre o que realmente pode estar por trás do que vestimos.

Como vocês avaliam as ações e resultados desde o primeiro ano do movimento?

Os resultados têm sido bastante animadores, o número de pessoas envolvidas com o movimento, seja como colaborador, parceiro ou audiência cresce com bastante rapidez. Só aqui no Brasil, em 2016, tivemos 54 eventos em 29 cidades durante a Fashion Revolution Week (24 a 30 de abril) e a participação de mais de 30 faculdades de moda na campanha, isso sem contar todo o fluxo nas mídias. Além disso, tivemos a ação de conscientização, Fashion Experience, por 2 vezes na cidade de São Paulo, sensibilizando mais de 2 mil pessoas.

O movimento tem uma forte atuação nas instituições de ensino de moda, para vocês, qual a importância da educação e papel dos estudantes para modificar o cenário atual do setor?

O papel da educação é extremamente importante, já que as faculdades são responsáveis pela qualidade de profissionais que entrarão no mercado e passarão a tomar as decisões no futuro, e essas decisões geram consequências para todos. Não se pode fechar os olhos para as questões éticas e de sustentabilidade só porque elas representam desafios para o sistema de mercado vigente, na verdade, elas devem ser encaradas como soluções para o futuro, que depende inteiramente de pessoas bem preparadas para enfrentá-los.

Como as pessoas podem participar do Fashion Revolution?

O movimento é aberto para todos os amantes da moda e aqueles que acreditam no poder de transformação. A maneira mais fácil de participar e apoiar o movimento é postando uma selfie e perguntando à marca que está vestindo: “quem fez minhas roupas?” e usando as hashtags: #whomademyclothes #quemfezminhasroupas #fashrev. Para quem quiser saber mais sobre o movimento, como participar da campanha ou de eventos, podem acompanhar o Fashion Revolution Brasil através das nossas redes sociais:

Facebook: fashionrevolution.brasil

Instagram: @fash_rev_brasil

Twitter: @Fash_Rev_BRASIL

www.fashionrevolution.org

O que vocês esperam do movimento para os próximos anos?

Esperamos que ele continue crescendo e tenha uma vida longa aqui no Brasil e ao redor do mundo, informando, conscientizando e envolvendo cada vez mais consumidores, marcas, indústria, imprensa e governos na a criação de melhores condições de trabalho, processos mais limpos e formas de consumo mais conscientes.

Acompanhe o movimento pelo site www.fashionrevolution.org e suas redes sociais.

>> Fashion Revolution Week 2017 | Brasil <<

 Para realização da Fashion Revolution Week 2017, que acontecerá nos dias 24 a 30 de abril, o Fashion Revolution Brasil está com uma campanha de financiamento coletivo no site Benfeitoria e conta com a ajuda de todos os revolucionários da moda para fazer acontecer!

 Com o valor arrecadado será possível a produção de 4 grandes eventos nacionais, em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, que contarão com workshops práticos, exposições, exibições de filmes, entre outras atividades.

Para cada contribuição, o Fashion Revolution Brasil preparou várias recompensas. Informações sobre a campanha aqui. Colabore 🙂

A escravidão escondida entre as máquinas de costura

 

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Crédito foto: Renato Bignami | Repórter Brasil

Notícias sobre o cenário de violações de direitos em que muitos trabalhadores da indústria têxtil estão submetidos não são novidade. Mas, engana-se quem pensa que trabalho análogo ao escravo, trabalho infantil, péssimas condições e jornadas exaustivas são problemas distantes do Brasil, infelizmente essa situação está bem próxima de nós.

Quer um exemplo? Essa semana auditores do Programa de Erradicação do Trabalho Escravo, do Ministério do Trabalho e Emprego responsabilizaram a empresa Brooksfield Donna por trabalho escravo e infantil. Foram encontrados em uma pequena oficina no bairro de Aricanduva, em São Paulo, cinco trabalhadores bolivianos, incluindo uma menina de 14 anos, que viviam e trabalhavam em condições precárias. O grupo não tinha carteira assinada ou férias e os salários dependiam da quantidade de peças produzidas (R$6,00 em média por roupa costurada). Leia a matéria completa aqui.

Este é mais um caso triste e vergonhoso que vem mascarado em roupas de luxo que podem ultrapassar R$ 500,00. Infelizmente há muitos outros envolvendo marcas nacionais. A ONG Repórter Brasil acompanha as fiscalizações nas confecções desde 2009 (aqui estão algumas marcas que já foram flagradas nessa situação).

Mas o que caracteriza um trabalho escravo nos dias de hoje?

De acordo com o artigo 149 do Código Penal brasileiro, esse tipo de relação se dá quando: existem condições degradantes de trabalho, jornada exaustiva, trabalho forçado e servidão por dívida. Em resumo, todo o regime de trabalho humilhante que prive o trabalhador de sua liberdade, além de ferir sua dignidade.

Estima-se que atualmente mais de 40 milhões de homens, mulheres, crianças e adolescentes no mundo vivam nessa situação, atuando em diversos setores para fabricação de produtos que consumimos diariamente.

No Brasil a existência do trabalho escravo contemporâneo foi reconhecido pelo governo em 1995, sendo uma das primeiras nações do mundo a admitir o problema em seu território. Até 2013, os maiores indices eram encontrados em atividades econômicas rurais, porém a partir deste ano as violações  se deram principalmente na zona urbana, em setores como a construção civil e têxtil.

O número de crianças e adolescentes que trabalham em confecção e comércio de tecidos, artigos de vestuário e acessórios também é alarmante, estima-se que mais de 114 mil encontram-se nessa situação apenas no país.

Buscando, justamente, sensibilizar e conscientizar os consumidores, entre os dias 16 a 22 de junho a Fashion Revolution Brasil organizou em São Paulo a sua segunda edição do Fashion Experience. A instalação, realizada juntamente com o Ministério Público do Trabalho, a organização internacional 27 Million e o movimento global Stop The Traffik, simulava uma loja itinerante com ofertas de roupas a R$9,90. Ao entrar o visitante se deparava com uma oficina de costura em condições precárias. O objetivo da ação era impactar, mas também mostrar alternativas e possibilidades de mudança, além da importância do consumo consciente. Saiba mais sobre a ação aqui.

Ações como da Fashion Revolution Brasil são fundamentais para despertar a consciência e  percepção do nosso protagonismo como consumidores. Temos um poder gigante nas mãos e precisamos colocar isso em pratica! Devemos sempre  questionar as marcas e exigir mais transparência! É nossa responsabilidade também  saber qual a procedência dos produtos que compramos!!

Façamos disso um lema: #quemfezminhasroupas?

Saiba mais sobre o assunto:

Trabalho Escravo Contemporâneo – 20 anos de combate no Brasil – Repórter Brasil 

Global Slavery Index – Region Analysis – The Americas 

Fashion Revolution

Conheça Ongs que trabalham para erradicação do trabalho escravo e tráfico de pessoas:

27 Million

Stop The Traffik 

Conhece algum caso de trabalho escravo? Denuncie aqui.


Referências

https://www.walkfree.org/modern-slavery-facts/

http://www.ilo.org/brasilia/temas/trabalho-escravo/WCMS_393066/lang–pt/index.htm

http://www.ilo.org/brasilia/noticias/WCMS_476140/lang–pt/index.htm

http://www.bbc.com/portuguese/brasil-36574637

http://reporterbrasil.org.br/trabalho-escravo/

http://www.inpacto.org.br/2015/06/oit-alerta-168-milhoes-de-criancas-realizam-trabalho-infantil-no-mundo/

http://escravonempensar.org.br/livro/capitulo-1/

http://fashionrevolution.org/